Já perdi a conta de quantas vezes olhei para você, sorri e pensei: "Esse menino é realmente meu namorado?" 

Uma dezena de garotos já passaram por minha vida, me decepcionaram e me fizeram desacreditar nessa coisa louca que é o amor, mas aí você chegou e tudo mudou.

Lembro que nas duas primeiras tentativas de conversas após termos trocado nossos números nada fluiu. Eu ainda estava meio triste devido a última decepção e te tratando de forma fria, mas aí uns bons dias depois de nenhuma nova mensagem te mandei um texto meu sobre Loki e você me respondeu.

Imagina se você não tivesse respondido? Se nós simplesmente tivéssemos deixado a gente se tornar só mais uma conversa que depois seria arquivada ou apagada? Não sei como seria minha vida se você não tivesse me respondido naquele dia, ou como estaria sem você. Só sei que ao imaginar esse cenário, fico desesperado.

Obrigado por não ter desistido de mim. Sua paciência é uma das coisas que mais me cativa. Você em nenhum momento reclamou por eu estar à incontáveis quilômetros de distância de ti, ou reclamou por nosso relacionamento ser mais virtual do que presencial e os momentos presenciais serem sempre incertos e demorados para acontecer. Você simplesmente pulou nessa aventura comigo!

Como é bom ter alguém assim, sempre apto e disposto para encarar qualquer coisa ao seu lado! Eu sinto que se te chamasse pra correr pelado no meio da rua, você ia simplesmente rir para mim e perguntar: "Você quer fazer isso?" E quando eu dissesse que sim, você começaria a tirar sua roupa.

É por isso que eu te amo! Você sempre está pronto para qualquer coisa que eu te chame. Seja jogar um jogo que acabou de lançar, passar o tempo vendo vídeos de subcelebridades brigando em realitys shows ou ver junto comigo as esquisitices que os streamers que eu acompanho estão fazendo em live. Você entrou no meu mundo de cabeça, sem julgar ou reclamar e passou a gostar dele. Meu mundo virou o seu mundo e essa é uma das maiores provas de amor que alguém já fez por mim.

Sonhei a vida toda com um príncipe encantado, com um "e viveram felizes para sempre" e você apareceu. Você é um sonho que virou realidade e a razão por eu me sentir vivo em um mundo tão cheio de mortes, tragédias e tristeza.

Amor sempre foi o meu sentimento favorito e ao mesmo tempo foi o que sempre senti falta e medo de nunca encontrá-lo. Mas cá estou eu agora, deitado, sentindo dor, mas feliz ao relembrar da última sexta. Eu olhando no fundo dos seus olhos e vendo o quanto você me ama e sentindo o mundo todo a minha volta paralisar quando você prometeu nunca me deixar. 

Realmente, é isso que sinto quando estou ao seu lado. Parece que o mundo tá em câmera lenta, menor e só existe eu e você nele. Mas para falar a verdade, acho que não é o mundo que fica menor, é a gente que fica maior. Nosso amor nos deixa em nossas melhores versões, gigantes, como se o infinito fosse algo palpável.


Acho que nunca comentei aqui sobre minha paixão por realitys shows, mas o fato é que desde criança assisti o Big Brother Brasil e sempre me imaginei lá (tendo até já me inscrito para participar do programa), então todo início de ano, quando o programa começa a ser exibido, mudo minha rotina só para acompanhar e comentar o programa, além de participar de grupos de discussão e assistir o maior número possível de canais no YouTube que comentam o reality.

Dentre os participantes do BBB 21, o que mais me identifiquei foi o Gilberto. Geralmente não voto, mas no último paredão que ele protagonizou, eu me mobilizei e não parei de votar para tentar impedir sua saída. Infelizmente não foi o suficiente e ele saiu em quarto lugar, entretanto quando paro para refletir sobre o programa, é o nome do Gil que me vem na cabeça. Acredito que não é preciso vencer o BBB para ficar na história e Gil fez isso de forma brilhante e espontânea.

Quando soube que ele estaria lançando um livro sobre sua história ("Tem que vigorar!", pela Globo Livros) fiquei muito curioso para ler e um pouco preocupado com a qualidade da obra, dado o curto período de tempo da produção (Gil saiu do BBB em maio e o livro foi lançado em junho), contudo, apesar dos pontos negativos, apreciei a leitura do livro do Gil do Vigor.

O principal ponto negativo de "Tem que vigorar!" é justamente essa pressa que aconteceu para lançar o livro. Me parece que a editora estava desesperada para lançar o mais rápido possível para não perder o hype do BBB e vender mais e com isso, entregou um livro que parece inacabado. A maioria das histórias que o Gil conta são ótimas, o leitor fica curioso para saber mais, só que aí elas acabam. A maioria dos capítulos não passa de duas ou três páginas, então não ocorre o aprofundamento necessário e resulta em um livro raso, cheio de palavras bonitas jogadas para causar algum impacto em quem lê. E o que foram os depoimentos da Xuxa e Deborah Secco sobre o Gil? Completamente desnecessários e sem sentido.

A sorte é que o livro do Gil do Vigor é sobre o Gil do Vigor e ele é um ser iluminado que consegue alegrar o outro só por existir, então me peguei sorrindo com algumas histórias e me emocionando com outras. Fico pensando em como o livro poderia ter sido melhor se tivesse existido um melhor planejamento e não tivesse sido feito de qualquer jeito só para não "esfriar a pauta". No jornalismo, esse é um problema bem recorrente, você precisa ser rápido para entregar a notícia logo, se não ela esfria e ninguém quer mais ler sobre isso. Só que existe a reportagem, onde a pauta é aprofundada e abordada de outras perspectivas, com mais fontes e um melhor desenvolvimento. O livro do Gil poderia ter sido feito pensando nesta segunda perspectiva, mas acho que a Globo Livros só estava preocupada com o número de vendas, não é mesmo? Uma pena para quem lê, mas uma maravilha para eles ("Tem que vigorar!" segue nos mais vendidos até hoje).


Esse ano comecei a assistir doramas BL (séries orientais com tramas focadas no romance gay [o BL é a abreviação de Boys Love]) e me apaixonei por esse gênero (dentre as que mais gostei estão Cherry Magic e Together With Me). Quando vi o mangá Joy em promoção na Amazon e li sua sinopse eu fiquei louco para lê-lo e o resultado foi uma leitura bem leve, rápida e muito gostosa que me rendeu alguns suspiros.

O primeiro volume (são dois) é focado na relação entre Go Okazaki e Yusuke Akune, que trabalham juntos como mangakás (são os criadores e desenhistas de mangás). Akune é assistente de Go, que é um veterano e já publicou uma série de mangás shoujo (histórias voltadas para o público feminino) sob o pseudônimo de Ponko Tsuda. Quando a editora de Go sugere que ele escreva um mangá BL, ele passa a fingir que está apaixonado por Akune para poder entender como funciona o amor entre homens e desenvolver melhor sua história, mas ele acaba se apaixonando de verdade pelo seu assistente.

Apesar do mangá ter uma premissa bastante clichê, tudo é desenvolvido de uma forma bem natural e é impossível achar a construção do romance entre Go e Akune forçada. Etsuko conduz a história com uma delicadeza e leveza que torna tudo verossímil e leva o leitor a torcer muito para que o casal fique junto. Em vários momentos da história eu fiquei surtando, querendo ver os dois se beijando logo.

Diferente da maioria dos mangás BLs que já conferi, que são mais focados no sexo, Joy foca no romance. Há apenas uma leve insinuação de sexo entre os dois, mas só no final. O mangá se preocupa mesmo em desenvolver a relação entre Go e Akune, que começa com amizade e vai se transformando em amor. Adorei a escolha da Etsuko em focar no romance, pois quebra essa ideia que as pessoas têm de que mangá BL só tem cenas de sexo.

Outra coisa que é bastante interessante é a abordagem sobre o mundo dos mangakás. Em Joy a autora aborda tanto o fato de existir preconceito com a profissão como também o próprio público que é careta e não aceita tão bem um homem escrevendo histórias voltadas para o público feminino (por isso o Go utiliza pseudônimo feminino). Eu costumo consumir mangás, mas não sou tão inteirado no assunto, então foi bastante esclarecedor saber mais sobre os bastidores das obras.

Sendo assim, minha experiência com Joy foi extremamente satisfatória. Me apeguei tanto aos personagens que no final fiquei com aquele gostinho de "quero mais". Ainda bem que há um segundo volume que dá prosseguimento à história de amor entre Go e Akune. Preciso comprar e ler, pois já estou sentindo falta do meu casal favorito!


Observação: Todas as imagens que ilustram essa resenha são de minha autoria, então se você for usar alguma delas, não esqueça de me creditar.