Em 2018 eu comecei a fazer Jornalismo e minha vida mudou muito desde então. Me vi sem tempo para ler, assistir e fazer outras coisas que gostava, mas em compensação aprendi muita coisa e cresci muito como pessoa e "profissional". Para quem não sabe, eu tenho que fazer uma viagem de quase 2h para chegar na UFRN, sendo assim, a maioria do meu tempo eu estou em um ônibus ouvindo música. Por isso o meu post especial de fim de ano não poderia ser diferente. A música foi uma grande companheira em momentos que pensei em desistir, chorar, jogar tudo pro alto ou reviver momentos felizes. As músicas dessa lista dizem muito sobre mim e esse ano que vivi. E que ano, viu? 2018 foi muito difícil em vários aspectos, mas foi decisivo para o meu amadurecimento e felizmente me proporcionou momentos únicos.

Agora, sem mais delongas, fiquem com as músicas que mais ouvi em 2018:

Beggin For Thread, de Banks



Onde eu estava enterrado que não sabia da existência de Banks? Uma pessoa muito especial que eu amo muito me apresentou a ela e das músicas desse primeiro álbum da cantora, Beggin For Thread é a minha favorita. A faixa marca minha paixão e os momentos gostosos que tive com essa pessoa esse ano e serve de trilha sonora para eu revivê-los.

DDU-DU DDU-DU, de BLACKPINK


Sim, vai ter muito K-POP nessa lista. Acho DDU-DU DDU-DU uma faixa bem importante. Ela tem uma pegada bem empoderada/feminista e quebrou muito recordes. Sem falar que marca a melhor fase de BLACKPINK desde seu debut. Todas as músicas do SQUARE UP são maravilhosas e eu já perdi a conta de quantos vezes as ouvi.

BAAM, de MOMOLAND


MOMOLAND foi a grande revelação do ano. Tanto para mim quanto para o público em geral de K-POP. BAAM e BBoom BBoom tocaram pra caramba e fizeram a carreira das meninas alavancar de vez. E NÃO TEM COMO NÃO SE VICIAR EM BAAM. MEU DEUS, ESSA MÚSICA É MUITO CHICLETE.

Vou Morrer Sozinho, de Jão


Durante boa parte do ano eu fiquei entoando esse "Vou Morrer Sozinho" e realmente acreditava nisso. Ainda bem que estava enganado. O legal é que as outras músicas do LOBOS também encaixam direitinho com a minha vida amorosa, então as ouvi bastante esse ano. Adorei conhecer o Jão e é um artista (LGBT *---*) que eu acredito que vai brilhar muito em 2019. /previ

Pop / Stars, de K/DA com Madison Beer, (G)I-DLE e Jaira Burns


Essa é sem dúvidas a música que mais marca meu 2018. Por três motivos: League of Legends (eu joguei taaaaanto  esse ano), meu amor (a gente ficava jogando combinando nossas skins das K/DA [Evelynn e Ahri sz]) e meu curso (fiz um artigo onde falo sobre Pop / Stars e cheguei até a apresentar a música para a minha sala. Foi um momento bem marcante.).

Siren, de SUNMI


Siren apareceu do nada na minha aba de recomendados de vídeos do YouTube, bem quando o clipe tinha sido lançado. Parei para ver. Amei. Fui procurar mais músicas da SUNMI e eu amei todas que ouvi. WARNING é meu álbum favorito do ano e eu já estou ansioso para as próximas coisas que essa mulher maravilhosa (já viram o quanto ela é linda?) vai lançar.

Nothing Breaks Like a Heart, de Mark Ronson e Miley Cyrus


Eu nunca fiquei tão ansioso para um lançamento quanto eu fiquei para o dessa música. É a volta triunfal da minha Miley Cyrus e em minha humilde opinião, a melhor música lançada nesse ano. Sem falar que o clipe é bem impactante e bonito. Repleto de mensagens/críticas importantes.

No Tears Left to Cry, de Ariana Grande


Não gostei tanto dessa nova fase da Ariana Grande, mas No Tears Left to Cry foi um hino que ouvi muito. Como um bom canceriano que sou, me identifiquei com os versos e serviu para embalar muitos momentos onde eu realmente tava tão ferrado que nem mais lágrimas para chorar eu tinha.

This Girl, de Kungs vs Cookin' on 3 Burners


Eu, como quem não quer nada, parei em um desses canais de televisão que passam clipes. Estava passando This Girl e eu me apaixonei logo de cara pela música e o clipe que é simplesmente lindo. O casal tem uma química muito boa e as paisagens + fotografia dão um toque a mais. Impossível não se apaixonar por essa música.

Ride on the wind, de KARD


Seguindo essa onda de clipes agitadinhos com paisagens lindas, trago a gostosa Ride on the wind, de KARD. É uma música muito contagiante e eu a amo porque é a primeira em que o J.Seph (meu bias) sai do rap para mostrar seu potencial em vocais mais calmos.

What is Love?, de TWICE


Esse clipe é tãããão fofo. E a música nem se fala. Uma faixa para aquecer o coração. Para quem não se lembra, eu fiz um post citando todos os filmes que são referenciados em "Whats is Love?" (Clique aqui para ser redirecionado).

Pesadão, de IZA e Marcelo Falcão


Atualmente, IZA é uma das primeiras mulheres que me vem na cabeça quando penso em força e empoderamento feminino. O primeiro álbum dela é recheado de hinos e Pesadão é minha música favorita. Ela é outra artista que tenho certeza que vai brilhar ainda mais em 2019.

Energia (Parte 2), de Sofi Tukker e Pabllo Vittar


Para o final eu deixei parcerias que abalaram todas as minhas estruturas. Conheci Sofi Tukker por causa da Queen B e virei muito fã do duo. Baixei e ouvi absolutamente tudo que eles já fizeram, mas o que mais me chamou atenção, sem dúvidas, foi a parceria com Pabllo Vittar. Se Energia já era boa, ficou ainda melhor com a adição dos novos versos cantados por Vittar.

Kiss and Make Up, de Dua Lipa com BLACKPINK


Eu ouvi muito Dua Lipa esse ano e surtei quando anunciaram a parceria dela com BLACKPINK. A música ficou bem melhor do que imaginei que ficaria e estou até agora esperando o clipe. Será que em 2019 sai?

IDOL, de BTS com Nicki Minaj


BLACKPINK e Dua Lipa que me desculpem, mas o feat do ano é do BTS com a Nicki Minaj. A música quebrou a internet, bateu vários recordes e possui um dos melhores clipes da carreira do BTS.

E é isso, pessoal. Se o curso não me sugar tanto, nos vemos em 2019. Até lá!


Kamala Khan como Miss Marvel (Foto: Divulgação/Marvel Comics)
Esteve enraizada durante muito tempo nos quadrinhos de super-heróis uma cultura machista. As mulheres sempre apareceram trajando uniformes curtos e justos e os homens sempre representaram a figura do típico "machão". Héteros, brancos e fortes, os personagens masculinos raramente apareciam de outra forma. Esse cenário, contudo, vem mudando nos últimos anos.

Em 2011 surgiu nos quadrinhos o personagem Miles Morales. De origem hispânica, o garoto foi o primeiro Homem-Aranha negro. Ele, a princípio, fazia parte de um universo alternativo, mas sua popularidade foi tanta que passou a integrar o universo principal da Marvel. Em 2019 será lançado um filme de animação protagonizado por Morales intitulado "Homem-Aranha no Aranhaverso".

Kamala Khan atualmente é quem veste o manto da Miss Marvel. A personagem marcou um feito inédito nos quadrinhos: a primeira heroína muçulmana a ganhar uma revista solo. Roteirizado por G. Willow Wilson (autora de origem muçulmana), o volume "Nada Normal", lançado em 2014 ganhou prêmios importantes como o Hugo Awards e foi considerado como uma das HQs mais importantes do ano pelo Comics Alliance. Kamala é uma garota normal que lida com os problemas corriqueiros da adolescência (primeira festa, primeiro amor, etc), somado ao fato de ter ganho poderes e ser muçulmana. Algumas questões bem importantes sobre o preconceito que há com a cultura muçulmana são abordadas nas histórias da heroína.

American Chávez, a Miss América, é latina e lésbica. Completamente empoderada, ganhou uma revista solo em 2017 e faz parte dos Jovens Vingadores, grupo de heróis que também possui um casal gay composto por Wiccano e Hulkling. Os três personagens representam minorias e tinham tudo para serem vistos com olhares tortos, mas conseguiram cativar os leitores e ganharam seu espaço nos quadrinhos.

Jane Foster passou anos sendo vista apenas como o interesse amoroso de Thor, mas em 2016 ela assumiu o manto do herói e virou a poderosa Thor. A mudança, a princípio, dividiu o público. Porém, com o passar do tempo, a saga da nova heroína foi aclamada e muitos fãs ficaram tristes com a conclusão dela, que ocorreu esse ano.

Ainda que haja uma certa resistência ao novo, ao diferente (sempre há uma onda de comentários racistas quando algum ator negro é escalado para interpretar heróis no cinema), os passos que os quadrinhos vêm dando nos últimos anos marcam uma mudança positiva e contribuem para a desconstrução de rótulos e o mais importante: a representatividade. Finalmente mulheres, negros, latinos, muçulmanos, gays e lésbicas podem pegar uma revista para ler e dizer "olha, eu também posso ser um super-herói". Eu posso ser um super-herói. Você pode ser um super-herói. Nós podemos ser super-heróis.

*Texto feito originalmente para a matéria Comunicação, Cultura e Sociedade, do primeiro semestre do curso de Jornalismo


REFERÊNCIAS:

http://justicageek.com.br/ms-marvel-nada-normal-review/


Sarah Paulson como Ally (Foto: Divulgação/FX)
A sétima temporada do seriado televisivo americano American Horror Story, intitulada Cult, é a única que não possui elementos sobrenaturais em sua narrativa. Ryan Murphy e Brad Falchuk (criadores da série) optaram por fazer uma trama mais realista.

O ponto de partida de Cult é o momento onde Donald Trump é anunciado como novo presidente dos Estados Unidos. A cena em questão possui duas perspectivas: a primeira é a de Ally (Sarah Paulson). Mulher, lésbica e feminista, ela se choca e chora com o resultado; Kai (Evan Peters) é o completo oposto dela. Machista, racista, homofobico e misógino, ele vibra com a vitória de Trump. Assistindo o episódio, achei as atuações exageradas. "Onde já se viu se envolver tanto com política ao ponto de chorar com um resultado?", me perguntei.

Pouco mais de um ano após a exibição da sétima temporada de AHS, aconteceu as eleições para definir o 38º presidente do Brasil. À espera do resultado do segundo turno, me vi aflito, ansioso, angustiado. Quando vi a vitória do candidato Jair Bolsonaro eu só queria chorar e gritar. E foi aí que me veio na cabeça a cena de Ally desesperada por Trump ter vencido. Ainda que se trate de uma obra de ficção, interpretada por atores, eu finalmente percebi que aquilo não era exagero. Era horror. Puro e genuíno.

Ver um homem que proferiu discursos de ódio e racismo, carregados de preconceito e misoginia sendo eleito para o cargo de maior poder e autoridade do país me assusta mais do que qualquer outra coisa.

A vitória de Jair Bolsonaro encerra um dos períodos eleitorais mais conturbados e medonhos na história da política brasileira e deixa um clima estranho pairando pelo ar. Um ar de medo. As mulheres, os índios, os negros, a comunidade LGBTQ+ e as pessoas que acreditam na democracia estão assustadas. Temerosas pelo futuro.

Em Cult, após Trump ser eleito, o personagem de Evan Peters tomou coragem para propagar o horror por sua cidade. Reunido de seguidores e vestindo máscaras de palhaços, tomaram coragem para ferir (e até mesmo assassinar) imigrantes latinos e pessoas com pensamentos esquerdistas ou que discordavam de seus ideais.

Pouco depois de Bolsonaro ser anunciado como novo presidente do Brasil, já houve uma onda de atos violentos causada por seus eleitores. As máscaras de palhaços somem e dão lugar a rostos limpos e descobertos, mas carregados de ódio. Os "bolsominions" (apelido dado aos seguidores de Jair Bolsonaro) estão com mais coragem do que nunca. E eu estou com medo. Dia primeiro de Janeiro se aproxima e com ele, o meu horror cresce.


*Texto feito originalmente para a matéria Comunicação, Cultura e Sociedade, do primeiro semestre do curso de Jornalismo