A primeira coisa que chamou minha atenção em você foi seu pescoço. Adorei sua forma e como seu pomo de Adão se destacava. Em seguida, foi o seu cabelo. Você provavelmente é uma das poucas pessoas que ficam gostosas pra caralho de cabelo raspado. Em terceiro, foi a forma como você falava e a rapidez que me respondia.

Nós nos demos bem logo de cara. Nunca tive uma conexão tão instantânea com alguém como tive com você. Lembra que no primeiro dia a gente já tava falando de nossas famílias? Em meio a áudios, fui entendendo que éramos dois fodidos e eu soube que você seria o único que me entenderia. Era como se estivéssemos destinados a nos encontrar. Como se tivéssemos vivido tudo o que vivemos até chegar o momento em que nos encontramos. É, eu realmente achei que você seria meu final feliz.

Talvez esse foi um dos meus erros. Eu estava tão cego em minha felicidade por ter você em minha vida que não fui percebendo pequenos detalhes. Nós fomos nos quebrando com o passar do tempo (você em mais pedaços), devido ao caos lá fora e ao caos dentro de nós mesmos, até chegar o ponto que estávamos em frequências completamente distintas, o que resultou num término abrupto e doloroso. Mas esse texto não é sobre isso.

Eu sempre acreditei na ideia de que devemos focar apenas nos bons momento de qualquer coisa que vivemos, para que eles se manifestem quando pensarmos nela. Eu não vou lembrar das nossas brigas ou de você me chamando de manipulador, mentiroso e outros xingamentos que doeram em mim como se eu tivesse levado um chute no meu estômago estragado. Não vou. Eu vou lembrar dos bons momentos. E é por isso que resolvi os eternizar nesse texto.

Eu amo que desde o primeiro momento senti como se estivesse vivendo um romance do colegial. Me senti novamente com 18 anos. Você era o garoto novo da turma que chegava de outra cidade, todo sexy e misterioso, com cara de poucos amigos. Bruxo, gótico, vegano, que mora só com suas gatas (ah, eu vou sentir tanto a falta de Evelynn e Lilith! merda de gatilho). E eu, o nerd tímido desajeitado, viciado em livros, games e quadrinhos, que tem blog e escreve suas próprias histórias. Você era como o garoto popular que todos os outros garotos (e garotas também) queriam, mas que se interessa logo pelo mais improvável: eu. Foi assim que me senti.

Corajoso, forte, destemido, descolado, sincero, engraçado, bonito, gostoso, inteligente (sim, você é, então quando melhorar, enfia a cabeça nos estudos, mata a desgraçada da matemática na porrada e um dia a gente se esbarra pelo setor 2, ok? Meu Deus, você tem muita cara de um estudante de história do setor 2). Essas só são algumas das palavras que eu poderia escolher para te definir. Por mais que eu ache que você nunca vai ler esse texto, eu espero que nossa experiência e meus incontáveis elogios tenham servido para você entender que sim, você é um garoto incrível. Você me inspira. Até hoje. Eu queria ter um pingo da sua força.

Vivo. Foi assim que me senti quando estava com você. A quarentena estava sugando minhas forças, eu não sentia vontade de fazer nada, só sentia um vazio, e quando você apareceu... Ah, tudo mudou. Foi como se alguém tivesse injetado em mim um soro de felicidade e eu me senti como um bobo, com borboletas no estômago, como um... boiolinha (you make me feel... boiolinha). Isso é algo que só você vai entender.

Uma das melhores coisas dessa vida é você amar alguém e sentir que é recíproco. É uma dádiva. Poucos tem o privilégio de terem isso. Eu tive isso com você. Bastava ligarmos nossas câmeras e começarmos a chamada de vídeo que eu olhava pra você e percebia seu olhar. Ah, aquele olhar... Você me olhava como se eu fosse o garoto mais incrível do mundo. E eu realmente acreditei nisso. Senti como se fosse. E seus sorrisos nesses momentos foram as melhores coisas que me aconteceram em muito tempo. Seu sorriso é a coisa mais fofa e bonita que já vi.

Era ótimo falar várias besteiras com você e você rir de tudo e falar coisas ainda mais bestas, e eu rir da mesma forma. Era ótimo ouvir você falando com fascínio do loonaverse e me fazer ficar apaixonado por isso. Era ótimo ficar deitado, simplesmente só ouvindo nossas vozes e nossas músicas favoritas juntos, enquanto pensávamos no dia que em essa quarentena ia acabar e íamos finalmente poder dar aquele beijo de tirar o fôlego. Era ótimo até mesmo falar mal das pessoas que nos fizeram mal e a gente rir delas, cagando para suas existências, sabendo que quando estávamos juntos, ninguém poderia nos afetar.

Eu poderia ficar aqui o dia inteiro falando de como você era meu sonho que se tornou realidade e em como cada dia com você era como estar vivendo um filme diferente da Disney, mas eu não posso. Agora, deitado, às 10:37 do dia 21 de junho, numa manhã fria, olhando para o quadro de Batman e Robin da parede do meu quarto, as primeiras lágrimas começam a cair desde que comecei a escrever esse texto. E essa não era minha intenção. Eu não quero chorar por termos terminado, eu quero eternizar os bons momentos. Da mesma forma que nosso namoro acabou (abruptamente), vou encerrar esse texto. Existe muita coisa que eu gostaria de falar, mas agora eu não consigo, sendo assim, deixo apenas meu momento favorito com você:

Era 22 de Abril. Eu me lembro do dia porque foi o mesmo que a Dua Lipa se apresentou no BBB. Lembro de ouvir "Break My Heart" enquanto ouvia sua voz e a de Melanie Martinez. Estávamos assistindo K-12, e até o momento você estava todo bobo que as músicas que mais gostei foram as mesmas que você mais gostou. Você estava ansioso para que chegasse High School Sweethearts. Você mandou eu prestar atenção na letra dela. Você estava bêbado. Eu nunca vou me esquecer de sua voz embriagada cantando os versos:

Can we just be honest?
These are the requirements
If you think you can be my one and only true love
You must promise to love me
And, damn it, if you fuck me over
I will rip your fucking face apart

E você gritava comigo e ria, falando: "você ouviu, né? se foder comigo eu quebro sua cara, seu desgraçado". Era tão fofo o modo como você falava. Tão puro. Tão real. Tão inocente. Eu ri para você, mas estava chorando. E pela primeira vez em muito tempo eram lágrimas de felicidade. Foi ali que eu percebi que estava apaixonado por você. Ali foi o momento que eu percebi que não tinha mais volta. Um tempo depois, você me mandou áudios onde sua voz embriagada estava evidente e você falava apenas em inglês. Não sou fluente, mas na maior parte deles você dizia: "Eu realmente gosto de você, eu amo você, não me deixe, não desiste de mim, eu quero você, eu quero muito você"

Eu ainda gosto de você. Eu ainda amo você. Eu ainda estou aqui. Eu não desisti de você. Eu ainda quero você. Eu ainda quero muito você.


Um Comentário

  1. Amei o texto de hoje, quase todos os dias estou aqui acompanhando seu blog!

    Meu Blog: Trimania Blog

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