Título: A Glória e Seu Cortejo de Horrores
Autora: Fernanda Torres
Ano: 2017
Páginas: 216
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A glória e seu cortejo de horrores, novo romance de Fernanda Torres, acompanha as desventuras de Mario Cardoso, um ator de meia-idade, desde os dias de sucesso como astro de telenovela até o total declínio quando decide encenar uma versão de Rei Lear — e as coisas não saem exatamente como esperava. Mescla eletrizante de comédia de erros com a velha e nem sempre boa vida como ela é, o livro atravessa diversas fases da carreira de Mario (e da história recente do Brasil), suas lembranças de juventude no teatro político, a incursão pelo Cinema Novo dos anos 1960, a efervescência hippie do Verão do Desbunde, o encontro com o teatro de Tchékhov, a glória como um dos atores mais famosos de uma época em que a televisão dava as cartas no país. Um painel corrosivo de uma geração que viu sua ideia de arte sucumbir ao mercado, à superficialidade do mundo hiperconectado e à derrocada de suas ilusões.
*Exemplar cedido pela editora
Três anos após o lançamento de seu último livro, Fernanda Torres ressurge no meio literário com "A Glória e Seu Cortejo de Horrores", obra de ficção que conta a história de Mario Cardoso, um ator que teve seu momento no estrelato, mas que agora enfrenta momentos de decadência em sua carreira.
Gosto de dizer que a trama escrita por Torres é uma jornada de um (anti)herói desconstruída. Há muitos elementos do monomito, porém distribuídos de forma aleatória. Por exemplo, o livro não começa com o Mario jovem e vai contando passo a passo a sua trajetória. É o contrário. Tudo começa com o ator em sua mais recente peça, "Rei Lear", que vai muito mal das pernas. Além disso, Cardoso tem que lidar com sua mãe, Maria Amélia, que está com problemas de saúde. Intercalando com esses momentos, temos flashbacks que mostram toda a trajetória do autor. Trajetória essa que lembra e muito com a "jornada do herói".
No decorrer de sua jornada, Mario passa por dúvidas, descobertas, muitos perrengues e tragédias, encontra a glória, a fama, o sucesso, e claro, o cortejo de horrores que está atrelado a este último. E eu já falei das paixões e perdas? Sim, no livro também há espaço para incríveis e conturbadas histórias de amor e perdas que vão acabando cada vez mais com o protagonista. Mas como uma boa jornada do herói, Mário sempre consegue dar a volta por cima e ressurgir como uma fênix. Confesso que no final, após ter acompanhado juntinho com o personagem por tudo o que ele passou, me vi ficando emocionado com o desfecho que Fernando deu para Mário. Foi um misto de felicidade e tristeza, combinado com uma baita vontade de aplaudir. Aplausos para o livro, para a autora, para essa história tão arrebatadora e ao mesmo tempo gloriosa e claro, para o protagonista que você ama odiar. Ou seria odeia amar? É, meus caros, vocês também se verão ficando com sentimentos conflituosos quando o assunto for Mario Cardoso.
Mario Cardoso exala testosterona. Sabe aqueles típicos machões que pegam geral, não têm papas na língua e estão pouco se lixando para as consequências? Mario é assim. Bebe, fuma, se droga, trai, mente, machuca e faz o que der na telha. Com ares narcisista e pensando quase sempre em si mesmo, o ator tinha tudo (se existisse) para ser uma daquelas pessoas que a gente não suporta nem olhar na cara. Mas a humanidade que a autora coloca nele é tão real, que acaba por se tornar tocante. Você vê tudo que o personagem passa e acaba se afeiçoando a ele, torcendo para que ele consiga dar a volta por cima, emplacar algum papel e encontrar a glória.
Além de ter um protagonista fascinante, o livro ganha pontos por seu teor histórico. Na trama há espaço para retratar as fases do teatro, do cinema, da televisão e da sociedade brasileira no decorrer dos anos. Então prepare-se para ver o teatro político, o Cinema Novo, o verão do desbunde e temas mais atuais como a qualidade precária do sistema carcerário do Brasil e a febre das novelas bíblicas.
Sendo assim, "A Glória e Seu Cortejo de Horrores" é nada mais, nada menos, que impecável e a prova definitiva de que Fernanda Torres é uma das melhores surpresas da literatura brasileira nos últimos anos.
Três anos após o lançamento de seu último livro, Fernanda Torres ressurge no meio literário com "A Glória e Seu Cortejo de Horrores", obra de ficção que conta a história de Mario Cardoso, um ator que teve seu momento no estrelato, mas que agora enfrenta momentos de decadência em sua carreira.
Gosto de dizer que a trama escrita por Torres é uma jornada de um (anti)herói desconstruída. Há muitos elementos do monomito, porém distribuídos de forma aleatória. Por exemplo, o livro não começa com o Mario jovem e vai contando passo a passo a sua trajetória. É o contrário. Tudo começa com o ator em sua mais recente peça, "Rei Lear", que vai muito mal das pernas. Além disso, Cardoso tem que lidar com sua mãe, Maria Amélia, que está com problemas de saúde. Intercalando com esses momentos, temos flashbacks que mostram toda a trajetória do autor. Trajetória essa que lembra e muito com a "jornada do herói".
No decorrer de sua jornada, Mario passa por dúvidas, descobertas, muitos perrengues e tragédias, encontra a glória, a fama, o sucesso, e claro, o cortejo de horrores que está atrelado a este último. E eu já falei das paixões e perdas? Sim, no livro também há espaço para incríveis e conturbadas histórias de amor e perdas que vão acabando cada vez mais com o protagonista. Mas como uma boa jornada do herói, Mário sempre consegue dar a volta por cima e ressurgir como uma fênix. Confesso que no final, após ter acompanhado juntinho com o personagem por tudo o que ele passou, me vi ficando emocionado com o desfecho que Fernando deu para Mário. Foi um misto de felicidade e tristeza, combinado com uma baita vontade de aplaudir. Aplausos para o livro, para a autora, para essa história tão arrebatadora e ao mesmo tempo gloriosa e claro, para o protagonista que você ama odiar. Ou seria odeia amar? É, meus caros, vocês também se verão ficando com sentimentos conflituosos quando o assunto for Mario Cardoso.
"A realidade é horrível, eu não queria mais saber dela. Covardia? Que fosse." - página 66
Mario Cardoso exala testosterona. Sabe aqueles típicos machões que pegam geral, não têm papas na língua e estão pouco se lixando para as consequências? Mario é assim. Bebe, fuma, se droga, trai, mente, machuca e faz o que der na telha. Com ares narcisista e pensando quase sempre em si mesmo, o ator tinha tudo (se existisse) para ser uma daquelas pessoas que a gente não suporta nem olhar na cara. Mas a humanidade que a autora coloca nele é tão real, que acaba por se tornar tocante. Você vê tudo que o personagem passa e acaba se afeiçoando a ele, torcendo para que ele consiga dar a volta por cima, emplacar algum papel e encontrar a glória.
Além de ter um protagonista fascinante, o livro ganha pontos por seu teor histórico. Na trama há espaço para retratar as fases do teatro, do cinema, da televisão e da sociedade brasileira no decorrer dos anos. Então prepare-se para ver o teatro político, o Cinema Novo, o verão do desbunde e temas mais atuais como a qualidade precária do sistema carcerário do Brasil e a febre das novelas bíblicas.
"A vida separa as pessoas, como separa a gente de nós mesmos." - página 157
Sendo assim, "A Glória e Seu Cortejo de Horrores" é nada mais, nada menos, que impecável e a prova definitiva de que Fernanda Torres é uma das melhores surpresas da literatura brasileira nos últimos anos.
Nota:







