Conheci Rômulo por volta de 2015, quando ele utilizava o pseudônimo de Agatha Odaisa e era um leitor assíduo do meu blog. Comentário após comentário, fomos criando uma amizade que saiu do blog e permanece viva até os dias de hoje. Ainda nãos nos encontramos pessoalmente (ansioso para o dia que isso aconteça), mas é como se fossemos amigos de infância e não importa o tempo que fiquemos sem trocar mensagens, pois sempre quando conversamos é como se o tempo ausente não passasse de um dia distantes.

Recentemente soube por meio das redes sociais do Rômulo que ele havia sido modelo junto com seu namorado (Rafael) em um ensaio que estaria presente na primeira edição da revista Numanidade. E eu não podia deixar de prestigiar, né? Numanidade é um projeto criado pelo fotógrafo Douglas Silas. A ideia dele é alcançar todos os públicos, desmistificando a nudez, trazendo ensaios que foquem na beleza de cada cena e cada corpo, sem apelar para a vulgaridade. 

A impressão que fica no decorrer das páginas dessa primeira edição da Numanidade é justamente essa: que é um trabalho sensível, íntimo e principalmente carregado de amor. É evidente que o Douglas colocou todo o amor do mundo nesse projeto e o resultado é algo tocante e bastante profundo. 

Gostei de como a revista é dividida e dos textos que acompanham cada parte. São sete capítulos, que contam a história desse "trisal" e antes da sequência de fotos há sempre um pequeno texto de Douglas que conta os bastidores das sessões. Esse elemento é fundamental para a sensibilidade do projeto pois nos ajuda a entender os sentimentos dos modelos, assim como do fotógrafo, e faz com que o leitor sinta-se próximo de todos os envolvidos. 

Com Numanidade, Douglas nos convida a nos despir de preconceitos e a amar nós mesmos, nossas diferenças, a diferenças dos outros, os diversos corpos e as diferentes formas de amor. É apenas o primeiro passo de um projeto que promete caminhar bastante e quebrar tabus com sua delicadeza e profundidade.

Quem tiver interesse em adquirir a primeira edição da revista é só contatar o Douglas diretamente no Instagram do projeto, o @numanidade.


Acho que nunca comentei aqui sobre minha paixão por realitys shows, mas o fato é que desde criança assisti o Big Brother Brasil e sempre me imaginei lá (tendo até já me inscrito para participar do programa), então todo início de ano, quando o programa começa a ser exibido, mudo minha rotina só para acompanhar e comentar o programa, além de participar de grupos de discussão e assistir o maior número possível de canais no YouTube que comentam o reality.

Dentre os participantes do BBB 21, o que mais me identifiquei foi o Gilberto. Geralmente não voto, mas no último paredão que ele protagonizou, eu me mobilizei e não parei de votar para tentar impedir sua saída. Infelizmente não foi o suficiente e ele saiu em quarto lugar, entretanto quando paro para refletir sobre o programa, é o nome do Gil que me vem na cabeça. Acredito que não é preciso vencer o BBB para ficar na história e Gil fez isso de forma brilhante e espontânea.

Quando soube que ele estaria lançando um livro sobre sua história ("Tem que vigorar!", pela Globo Livros) fiquei muito curioso para ler e um pouco preocupado com a qualidade da obra, dado o curto período de tempo da produção (Gil saiu do BBB em maio e o livro foi lançado em junho), contudo, apesar dos pontos negativos, apreciei a leitura do livro do Gil do Vigor.

O principal ponto negativo de "Tem que vigorar!" é justamente essa pressa que aconteceu para lançar o livro. Me parece que a editora estava desesperada para lançar o mais rápido possível para não perder o hype do BBB e vender mais e com isso, entregou um livro que parece inacabado. A maioria das histórias que o Gil conta são ótimas, o leitor fica curioso para saber mais, só que aí elas acabam. A maioria dos capítulos não passa de duas ou três páginas, então não ocorre o aprofundamento necessário e resulta em um livro raso, cheio de palavras bonitas jogadas para causar algum impacto em quem lê. E o que foram os depoimentos da Xuxa e Deborah Secco sobre o Gil? Completamente desnecessários e sem sentido.

A sorte é que o livro do Gil do Vigor é sobre o Gil do Vigor e ele é um ser iluminado que consegue alegrar o outro só por existir, então me peguei sorrindo com algumas histórias e me emocionando com outras. Fico pensando em como o livro poderia ter sido melhor se tivesse existido um melhor planejamento e não tivesse sido feito de qualquer jeito só para não "esfriar a pauta". No jornalismo, esse é um problema bem recorrente, você precisa ser rápido para entregar a notícia logo, se não ela esfria e ninguém quer mais ler sobre isso. Só que existe a reportagem, onde a pauta é aprofundada e abordada de outras perspectivas, com mais fontes e um melhor desenvolvimento. O livro do Gil poderia ter sido feito pensando nesta segunda perspectiva, mas acho que a Globo Livros só estava preocupada com o número de vendas, não é mesmo? Uma pena para quem lê, mas uma maravilha para eles ("Tem que vigorar!" segue nos mais vendidos até hoje).


Esse ano comecei a assistir doramas BL (séries orientais com tramas focadas no romance gay [o BL é a abreviação de Boys Love]) e me apaixonei por esse gênero (dentre as que mais gostei estão Cherry Magic e Together With Me). Quando vi o mangá Joy em promoção na Amazon e li sua sinopse eu fiquei louco para lê-lo e o resultado foi uma leitura bem leve, rápida e muito gostosa que me rendeu alguns suspiros.

O primeiro volume (são dois) é focado na relação entre Go Okazaki e Yusuke Akune, que trabalham juntos como mangakás (são os criadores e desenhistas de mangás). Akune é assistente de Go, que é um veterano e já publicou uma série de mangás shoujo (histórias voltadas para o público feminino) sob o pseudônimo de Ponko Tsuda. Quando a editora de Go sugere que ele escreva um mangá BL, ele passa a fingir que está apaixonado por Akune para poder entender como funciona o amor entre homens e desenvolver melhor sua história, mas ele acaba se apaixonando de verdade pelo seu assistente.

Apesar do mangá ter uma premissa bastante clichê, tudo é desenvolvido de uma forma bem natural e é impossível achar a construção do romance entre Go e Akune forçada. Etsuko conduz a história com uma delicadeza e leveza que torna tudo verossímil e leva o leitor a torcer muito para que o casal fique junto. Em vários momentos da história eu fiquei surtando, querendo ver os dois se beijando logo.

Diferente da maioria dos mangás BLs que já conferi, que são mais focados no sexo, Joy foca no romance. Há apenas uma leve insinuação de sexo entre os dois, mas só no final. O mangá se preocupa mesmo em desenvolver a relação entre Go e Akune, que começa com amizade e vai se transformando em amor. Adorei a escolha da Etsuko em focar no romance, pois quebra essa ideia que as pessoas têm de que mangá BL só tem cenas de sexo.

Outra coisa que é bastante interessante é a abordagem sobre o mundo dos mangakás. Em Joy a autora aborda tanto o fato de existir preconceito com a profissão como também o próprio público que é careta e não aceita tão bem um homem escrevendo histórias voltadas para o público feminino (por isso o Go utiliza pseudônimo feminino). Eu costumo consumir mangás, mas não sou tão inteirado no assunto, então foi bastante esclarecedor saber mais sobre os bastidores das obras.

Sendo assim, minha experiência com Joy foi extremamente satisfatória. Me apeguei tanto aos personagens que no final fiquei com aquele gostinho de "quero mais". Ainda bem que há um segundo volume que dá prosseguimento à história de amor entre Go e Akune. Preciso comprar e ler, pois já estou sentindo falta do meu casal favorito!


Observação: Todas as imagens que ilustram essa resenha são de minha autoria, então se você for usar alguma delas, não esqueça de me creditar.


Como você era quando tinha 16 anos? Eu estava terminando o ensino médio, um pouco confuso quanto a quem eu era e ao que eu sentia por uma determinada pessoa e muito ansioso pelo futuro. Pensava em faculdade, pensava se eu ainda teria amizade com as pessoas do ensino médio e coisas assim. Diferente da maioria dos meus amigos, eu sempre deixei a vida amorosa em segundo plano, quase nunca me importei com isso e acredito que foi por esse motivo que não me identifiquei tanto com 24h adolescente e às vezes apaixonada.

Sabe quando você conhece alguém legal e tem tudo para dar certo com essa pessoa, mas você não sente nada e fica com aquele sentimento de "não é para mim"? Foi isso que senti com o livro escrito por Cláudia Zambrana.

A autora tem uma ótima escrita, bem dinâmica, o que torna a leitura rápida e leve, mas o fato de eu não ser o público-alvo do livro implicou com que eu não aproveitasse tanto a leitura.

Bia tem 16 anos está começando a viver tudo pela primeira vez (Primeiros beijos, primeiros namorados, primeiras decepções) e é normal ainda ser imaturo quando se está nessa fase, mas confesso que me irritei em diversos momentos com a protagonista. O fato de tudo acontecer muito rápido também prejudicava ainda mais minha avaliação da personagem. Eu contei e em menos de 24h Bia ficou com o Igor, com o Diego, aceitou o pedido de namoro do Diego, terminou com ele e nos momentos finais da história, houve uma indicação de que ela provavelmente ia voltar sua atenção para Rafa (com quem também ficou durante a obra). Ainda nessas 24h, a Lara, melhor amiga de Bia, passou a se interessar pelo Diego (foi uma espécie de amor a primeira vista) e ficou com raiva por a Bia começar a namorar com ele e fez de tudo para prejudicar a vida da sua até então melhor amiga. Conseguiu acompanhar tudo? Eu confesso que fiquei sem fôlego só de escrever esse resumo e o mesmo aconteceu enquanto lia. Tá, ok, eu sei que a adolescência é uma fase onde tudo acontece de forma muito intensa, mas era necessário haver mais tempo para desenvolver todos esses acontecimentos. Fazer tudo isso em 24h e em poucas páginas resulta em uma trama não tão amarrada e inverossímil, além de despertar no leitor uma certa aversão à protagonista da história, que toma uma série de atitudes precipitadas e incoerentes no pouco espaço de tempo que tem para resolver seus problemas.

Tirando esses problemas, foi uma leitura bem leve que serviu para me distrair desses tempos sombrios em que vivemos. Acredito que para o público adolescente, de aproximadamente 13 até 16 anos, 24h adolescente e às vezes apaixonada é uma excelente escolha. Tenho certeza que eles vão se apaixonar, suspirar e até mesmo se divertir com as situações em que Bia se mete no decorrer da história.


A epígrafe de Todos os nomes diz muito sobre o romance escrito por José Saramago e publicado em 1997 pela Companhia das Letras. Com exceção de Sr. José, todos os personagens da história não têm seus nomes revelados, os conhecemos apenas por suas funções, atitudes e gestos no decorrer da trama. No momento em que refleti sobre a ausência dos nomes, a única coisa que consegui pensar foi: "e o que mudaria na história se eu soubesse os nomes deles?" 

Os nomes nos limitam. Posso ser chamado de escritor, poeta, jornalista e uma série de outras coisas que não cabem apenas no nome Tony. Meu nome dito para alguém que não me conhece representará algo que não sou ou dará uma representação vaga de minha personalidade. O mesmo serve para os objetos. Livro, por exemplo, é um nome usado para definir todos os livros, mas quando pensamos em livro pensamos numa série de outros significados. Logo, somos muito mais que os nomes que nos dão.

Passada essa introdução, eis um pequeno resumo sobre a trama de Todos os Nomes: Sr. José trabalha como auxiliar de escrita numa Conservatória Geral do Registro Civil e tem como passatempo fazer recortes e juntar arquivos de pessoas famosas. Em um determinado dia, enquanto está nos arquivos da Conservatória à procura de informações para agregar na sua coleção, ele pega por engano um verbete de uma mulher desconhecida. Aquilo o inquieta até o ponto de virar sua vida de cabeça para baixo na procura dessa mulher desconhecida. 

Diferente de As Intermitências da Morte (meu primeiro contato com o autor), onde demorei para engatar na leitura, logo nas primeiras páginas de Todos os nomes me vi envolvido com a escrita de Saramago. A descrição da Conservatória Geral e da figura banal e ao mesmo tempo fascinante do Sr. José me fisgaram e não consegui mais largar o livro.

Todos os nomes é um livro bem melancólico, escuro e até mesmo claustrofóbico. Quase todas as cenas do livro há a ausência de luz e nos cenários principais da história (cemitério, arquivos da conservatória e o quarto do José) há um pequeno espaço para se locomover. Vejo isso como uma metáfora para o próprio Sr. José e sua vida, marcada por solidão e sem alternativas para se mover, para mudar seu cenário. A luz que acende na vida do personagem e abre portas para tudo mudar é sua curiosidade pelo desconhecido, pela mulher desconhecida dona do nome que caiu por acaso em suas mãos. Ver a evolução do Sr. José e toda sua jornada à procura da mulher desconhecida é fascinante. O leitor consegue se afeiçoar ao homem simples e solitário e até mesmo se identificar com ele em diversos momentos. Impossível não rir dos diálogos bem elaborados que o próprio Sr. José inventava na sua cabeça e ficar encantado com as conversas dele com o teto. 

Se aproximando da conclusão da história fui ficando com um sentimento de vazio e tristeza, era como se a jornada do personagem fosse minha e seu fim me proporcionava uma ruptura, como se estivesse perdendo algo precioso junto com o personagem. As últimas páginas, ainda que provoquem um final abrupto, deixam no leitor a sensação de amadurecimento, reflexão e renovação. Ao virar a última página do livro me peguei sorrindo ao imaginar Sr. José continuando suas visitas à Conservatória Geral na calada da noite.

"Provavelmente, quanto maior é a diferença, maior será a igualdade, e quanto maior é a igualdade, maior a diferença será"


A TV da minha casa havia parado de funcionar há umas duas semanas e eu estava sem internet, sendo assim, me sobraram duas alternativas: entrar num estado contemplativo e refletir sobre o que estou fazendo com a minha vida nesta pandemia ou reencontrar meus velhos amigos: os livros. Se você leu o título do post, já sabe qual a opção que escolhi, não é? Pois muito que bem, vamos lá!

De uma forma bem resumida, Morte no Nilo conta a história de Linnet Ridgeway, que "rouba" o noivo de sua melhor amiga. Durante a lua de mel eles vão para o Nilo e no navio encontram várias pessoas, incluindo a amiga traída de Linnet, Jacqueline de Bellefort e o famoso detetive Hercule Poirot. Num belo dia, a bela e rica Linnet é encontrada morta e cabe ao nosso detetive favorito resolver este mistério.

O que mais gosto nas obras de Agatha Christie é que ela sempre dá um jeito de transformar uma trama com um mistério simples (ora, a Jacqueline era a mais provável de matar a Linnet, correto?) em um quebra cabeças complexo e cheio de reviravoltas. Começando com um ótimo álibi para a principal suspeita, em Morte do Nilo ainda há um assassino perigoso à solta, um roubo de colar de pérolas da Linnet e mais dois outros assassinatos no decorrer da história. Isso faz com que o leitor crie diversas teorias e devore o livro rapidamente para descobrir o que de fato aconteceu. No fim das contas, a resolução é bem simples, mas faz muito sentido e ainda surpreende, o que me deixou bem satisfeito.

Gosto de pensar que esse livro é sobre o amor e suas variáveis formas. Tudo está atrelado à ele. Começando por Linnet, que sempre tivera tudo, menos um amor de verdade e ao ver o amor eufórico de Jaqueline por Simon, deseja tê-lo também. Jaqueline, por amar demais, e com o sentimento de dor pela traição passa a se tornar uma pessoa amargurada e bastante... Perigosa. Nos personagens secundários, também notamos o sentimento perambulando por entre as tramas, como no caso de Cornelia Robson que passou a vida sem ter amor próprio e nos casos de Rosalie Otterbourne e Tim Allerton que moldaram suas vidas e personalidades de acordo com a forma como foram amados por suas mães e vice versa.

Com personagens secundários bem atraentes e uma trama principal bem ágil com alguns plot twists, Morte no Nilo é mais uma das obras marcantes de Agatha Christie que você precisa ler o quanto antes. Ainda mais agora que está para chegar uma adaptação cinematográfica com nomes de peso como Gal Gadot e Armie Hammer. Devido ao Corona, eu não sei como vai ser a estreia do filme, mas deixo o trailer dele aqui abaixo para vocês darem uma olhada:



Título: A Glória e Seu Cortejo de Horrores
Autora: Fernanda Torres
Ano: 2017
Páginas: 216
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A glória e seu cortejo de horrores, novo romance de Fernanda Torres, acompanha as desventuras de Mario Cardoso, um ator de meia-idade, desde os dias de sucesso como astro de telenovela até o total declínio quando decide encenar uma versão de Rei Lear — e as coisas não saem exatamente como esperava. Mescla eletrizante de comédia de erros com a velha e nem sempre boa vida como ela é, o livro atravessa diversas fases da carreira de Mario (e da história recente do Brasil), suas lembranças de juventude no teatro político, a incursão pelo Cinema Novo dos anos 1960, a efervescência hippie do Verão do Desbunde, o encontro com o teatro de Tchékhov, a glória como um dos atores mais famosos de uma época em que a televisão dava as cartas no país. Um painel corrosivo de uma geração que viu sua ideia de arte sucumbir ao mercado, à superficialidade do mundo hiperconectado e à derrocada de suas ilusões.

*Exemplar cedido pela editora

Três anos após o lançamento de seu último livro, Fernanda Torres ressurge no meio literário com "A Glória e Seu Cortejo de Horrores", obra de ficção que conta a história de Mario Cardoso, um ator que teve seu momento no estrelato, mas que agora enfrenta momentos de decadência em sua carreira.


Gosto de dizer que a trama escrita por Torres é uma jornada de um (anti)herói desconstruída. Há muitos elementos do monomito, porém distribuídos de forma aleatória. Por exemplo, o livro não começa com o Mario jovem e vai contando passo a passo a sua trajetória. É o contrário. Tudo começa com o ator em sua mais recente peça, "Rei Lear", que vai muito mal das pernas. Além disso, Cardoso tem que lidar com sua mãe, Maria Amélia, que está com problemas de saúde. Intercalando com esses momentos, temos flashbacks que mostram toda a trajetória do autor. Trajetória essa que lembra e muito com a "jornada do herói".

No decorrer​ de sua jornada, Mario passa por dúvidas, descobertas, muitos perrengues e tragédias, encontra a glória, a fama, o sucesso, e claro, o cortejo de horrores que está atrelado a este último. E eu já falei das paixões e perdas? Sim, no livro também há espaço para incríveis e conturbadas histórias de amor e perdas que vão acabando cada vez mais com o protagonista. Mas como uma boa jornada do herói, Mário sempre consegue dar a volta por cima e ressurgir como uma fênix. Confesso que no final, após ter acompanhado juntinho com o personagem por tudo o que ele passou, me vi ficando emocionado com o desfecho que Fernando deu para Mário. Foi um misto de felicidade e tristeza, combinado com uma baita vontade de aplaudir. Aplausos para o livro, para a autora, para essa história tão arrebatadora e ao mesmo tempo gloriosa e claro, para o protagonista que você ama odiar. Ou seria odeia amar? É, meus caros, vocês também se verão ficando com sentimentos conflituosos quando o assunto for Mario Cardoso.

"A realidade é horrível, eu não queria mais saber dela. Covardia? Que fosse." - página 66

Mario Cardoso exala testosterona. Sabe aqueles típicos machões que pegam geral, não têm papas na língua e estão pouco se lixando para as consequências? Mario é assim. Bebe, fuma, se droga, trai, mente, machuca e faz o que der na telha. Com ares narcisista e pensando quase sempre em si mesmo, o ator tinha tudo (se existisse) para ser uma daquelas pessoas que a gente não suporta nem  olhar na cara. Mas a humanidade que a autora coloca nele é tão real, que acaba por se tornar tocante. Você vê tudo que o personagem passa e acaba se afeiçoando a ele, torcendo para que ele consiga dar a volta por cima, emplacar algum papel e encontrar a glória.

Além de ter um protagonista fascinante, o livro ganha pontos por seu teor histórico. Na trama há espaço para retratar as fases do teatro, do cinema, da televisão e da sociedade brasileira no decorrer dos anos. Então prepare-se para ver o teatro político, o Cinema Novo, o verão do desbunde e temas mais atuais como a qualidade precária do sistema carcerário do Brasil e a febre das novelas bíblicas.

"A vida separa as pessoas, como separa a gente de nós mesmos." - página 157

Sendo assim, "A Glória e Seu Cortejo de Horrores" é nada mais, nada menos, que impecável e a prova definitiva de que Fernanda Torres é uma das melhores surpresas da literatura brasileira nos últimos anos.


Nota:



Título: Aimó
Subtítulo: Uma viagem pelo mundo dos orixás
Autor: Reginaldo Prandi
Ilustrador: Rimon Guimarães
Ano: 2017
Páginas: 258
Editora: Seguinte
Sinopse: Imagine se encontrar, de uma hora para a outra, em um mundo totalmente desconhecido onde você não conhece ninguém e ninguém demonstra saber quem você é. É o que acontece com uma menina nascida na África e levada para o Brasil para ser escrava, e que de repente acorda em um lugar estranho, habitado pelos deuses orixás e pelos espíritos dos mortos que aguardam o momento de seu renascimento. Ela não sabe mais o próprio nome nem lembra de sua família — está sozinha e não tem a quem pedir socorro. Por isso, aliás, ganha o nome Aimó, “a menina que ninguém sabe quem é”. Tudo o que ela quer é retornar ao seu mundo de origem, mas para tornar isso possível, Aimó vai partir em uma longa jornada através dos tempos mitológicos, guiada por Exu e Ifá, e vai acompanhar de perto muitas aventuras vividas pelos orixás. Só assim poderá reunir o conhecimento necessário para fazer uma escolha que lhe permita, enfim, voltar para casa.

*Exemplar cedido pela editora

Aimó Omobinrin é uma africana escrava que vivia no Brasil e morreu ainda jovem, sendo levada para o Orum, a morada de todos os mortos e dos deuses. Esse nome, Aímó, significa uma menina "esquecida, que ninguém sabia quem era, uma desconhecida”, e isso porque ninguém na Terra se lembrava dela ou chamava pela garota, o que impedia que a mesma fosse identificada ou até mesmo se reencarnasse e voltasse ao mundo dos vivos, o Aiê.


Nem mesmo a própria Aimó sabia das suas origens, o que a fez ficar extremamente triste e desiludida, perdendo as esperanças de um dia poder reencontrar seu povo no Aiê. Chorou tanto que suas lágrimas foram capazes de inundar o palácio de Olorum, o deus primordial, pai de todos os outros deuses orixás, que dormia um soninho de nada mais nada menos que quatrocentos anos. Olorum, ao ouvir a história da menina, imediatamente convocou Ifá e Exu, deuses que ajudariam a garota a encontrar sua família na Terra.

Aimó deverá escolher um dos principais orixás pela qual será filha ao renascer no Aiê, e todo esse ‘processo seletivo’ é retratado do comecinho até o final do livro. Tal processo mostra várias histórias de alguns orixás e algumas tradições das crenças africanas. Foi muito divertido para mim descobrir a existência de tantas culturas e tradições diferentes das religiões de matriz africana.


O Reginaldo Prandi já publicou mais de 30 livros no total, dentre os quais os mais famosos retratam as religiões afro-brasileiras, com uma linguagem acessível a todos. Com Aimó não é diferente, o livro é repleto de figuras e a escrita do autor é extremamente simples e compreensível. Senti a necessidade de ler o livro inicialmente para “conhecer um pouco mais sobre a umbanda”, e me surpreendi ao perceber que, na verdade, não é só essa religião que usa esses termos (olorum, orixás, etc). Aprendi muita coisa lendo Aimó. Pra se ter uma noção, o autor também tenta desconstruir alguns preconceitos que são comuns na maioria das pessoas que não têm conhecimento sobre tal tema, por exemplo, o Exu, sinônimo de diabo no Brasil, pode ser considerado como um herói na trama e um dos personagens principais.

A edição da editora Seguinte está impecável. O estilo do livro é bastante interessante e chamativo, tendo diversas ilustrações durante todo o decorrer da história. Os capítulos são bem curtinhos, do jeito que eu gosto, e as folhas são bem resistentes. Pra quem não pretende ler o livro usando a desculpinha de ‘ah, não conheço esses termos e os acho difíceis de entender’, pode ir parando u_u, o glossário ao final da obra conceitua todos os termos ‘complicados’ citados na obra. Recomendadíssimo!

(Bônus: pra quem se interessou pela obra, nesse link vocês podem conferir o primeiro capítulo do livro: https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/55137.pdf 💞)

Nota:








Título: 5 Centímetros por Segundo #2
Título Original: 秒速5センチメートル (Byōsoku 5 Senchimētoru)
Autor: Makoto Shinkai
Ilustrador: Yukiko Seike
Ano: 2015
Páginas: 240
Editora: NewPOP
Sinopse: A história se passa no começo dos anos 90, onde a internet ainda não era uma alternativa viável para comunicação a distância. Takaki Tono e Akari Shinohara se conhecem desde o primário, e um sentimento amoroso surge involuntariamente entre eles. A relação, porém, se complica quando Akari tem que se mudar para o interior do país e os dois passam a se comunicar somente por cartas.
Com o passar do tempo, a situação só piora, pois, chega a vez de Takaki se mudar, para ainda mais longe de Akari. Na vida do garoto, também entrará uma nova personagem: a sonhadora Kanae Sumida. Será que ele conseguirá esquecer Akari? Irão eles se reencontrar no futuro?

***

Trama

TL: Com mais uma passagem de anos a trama mudou completamente. Tendo os personagens se transformado em adultos chega aquele clima melancólico e recheado de incertezas. Apego ao passado, insatisfação com os rumos que suas vidas tomaram e outras coisas do tipo estão presentes neste volume. Essa foi uma das poucas coisas que gostei no mangá e motivo pelo qual não dei uma nota ainda menor. Contudo, ainda há problemas na história. O que mais me irritou foram umas cenas mal escritas e que me deixaram extremamente confuso.

LF: Mesmo sendo um mangá relativamente curto, demorei um pouco mais para terminar de ler em comparação ao volume anterior, isso porque achei o desenrolar um pouco monótono e sem grandes emoções até certo ponto. Nesse volume vemos os protagonistas divididos sobre algumas escolhas na vida, assim como as consequências de elevar muito as expectativas para determinada coisa e, no fim, se decepcionar.


Personagens

TL: Se já não bastasse Kanae Sumida (que ganha ainda mais destaque neste segundo volume), há ainda a introdução de uma nova personagem: Risa Mizuno. Isso só fez com que Akari perdesse mais espaço na trama, o que me deixou muito chateado, pois adorei ela. Se não bastasse isso, comecei a me irritar com o Takaki que em muitos momentos não tem atitude e age como um bundão.

LF: Eu gostei da Kanae ter ganhado um espaço maior nesse volume, mas achei desnecessário a Akari ter aparecido tão poucas vezes, bem como no primeiro volume depois que ela muda de cidade. Fiquei irritado com o Takaki em alguns momentos também, em outros, eu faria o mesmo que ele.


Suas expectativas foram correspondidas?

TL: Não mesmo. Esperava uma coisa e foi outra totalmente diferente. Odiei com todas as forças o final e fiquei muito puto. Para mim foi uma completa perda de tempo e decepção, o que me deixou muito triste, pois havia gostado do primeiro volume. Espero que eu tenha interpretado a história de forma errônea e que ela tenha sido melhor do que achei. Mas de qualquer forma, o sentimento que ficou no fim mesmo foi de decepção. Infelizmente.

LF: Mantenho meus comentários sobre as expectativas para o mangá. Elas não estavam elevadas, por isso, não me decepcionei tanto, mas confesso que para uma história aparentemente tão banal como essa, esperava um final totalmente diferente. Não gostei do desfecho do mangá. A história terminou como se fosse ter um volume posterior.


Considerações finais

TL: Infelizmente os únicos pontos positivos que encontrei dessa vez foram os traços e a retratação das decepções da vida adulta. Todo o resto não me agradou. Até a edição que havia elogiado na outra resenha me decepcionou dessa vez. Não teve folhas em formato especial e coloridas e também encontrei alguns errinhos de revisão. Sendo assim, "5 centímetros por segundo" é uma obra que prometia muito e não cumpriu nada. Posso estar equivocado, pois muita gente rasga elogios para o mangá, mas depois desse segundo volume só posso dizer que ele não funcionou comigo, o que é uma pena.

LF: Os erros de revisão também estão presentes no volume 1, mas em um número menor. Não acho que isso tenha atrapalhado de alguma forma meu pensamento sobre a obra, mas não há como passar despercebido. A edição como um todo continua bonita, apenas acho que a New Pop deveria ter mantido as páginas iniciais com o efeito especial do volume antecedente. Lendo algumas resenhas do mangá (e do filme), vejo que muita gente falou bem da história e da reflexão que essa nos proporciona, mas sinceramente não consegui captar tais mensagens 😝 talvez porque tenha lido o mangá esperando outra coisa, ou porque o gênero não é um dos meus preferidos, enfim, não sei. Em alguns momentos me identifiquei com o Takaki e pensei que faria o mesmo no lugar do personagem, bem como entendi que nem tudo é um mar de rosas e que as vezes temos, sim, que abrir mão de algumas coisas para conseguir outras, mas não foram lá pensamentos que me fizeram refletir muito como todos diziam.

Nota:




Título: 5 Centímetros por Segundo #1
Título Original: 秒速5センチメートル (Byōsoku 5 Senchimētoru)
Autor: Makoto Shinkai
Ilustrador: Yukiko Seike
Ano: 2015
Páginas: 240
Editora: NewPOP
Sinopse: A história se passa no começo dos anos 90, onde a internet ainda não era uma alternativa viável para comunicação a distância. Takaki Tono e Akari Shinohara se conhecem desde o primário, e um sentimento amoroso surge involuntariamente entre eles. A relação, porém, se complica quando Akari tem que se mudar para o interior do país e os dois passam a se comunicar somente por cartas. Com o passar do tempo, a situação só piora, pois, chega a vez de Takaki se mudar, para ainda mais longe de Akari. Na vida do garoto, também entrará uma nova personagem: a sonhadora Kanae Sumida. Será que ele conseguirá esquecer Akari? Irão eles se reencontrar no futuro?

A resenha de hoje tem uma participação pra lá de especial do meu amigo e colunista, Leandro Firmino. Quando ele fez aniversário esse ano eu o presenteei com os dois volumes de "5 Centímetros por Segundo" e para ele ter com quem comentar, também comprei os dois volumes pata mim. Então nada mais justo que nós dois resenharmos o mangá aqui no blog, né? Essa é a primeira parte de duas. Muito em breve sai a resenha do segundo volume, mas enquanto isso não acontece, confiram nossa opinião sobre o primeiro:

Trama

TL: Apesar de ser um pouco clichê (garoto e garota tímidos se apaixonam um pelo outro e não têm coragem de dizer o que sentem), gostei muito da história encontrada em "5 centímetros por segundo". É tudo muito delicado, bonito e inocente. Contudo, houveram algumas cenas, passagens de tempo e até mesmo falas no decorrer do volume que me deixaram bem perdido e confuso.

LF: Uma coisa que me chamou muito a atenção, não sei se positiva ou negativamente, foi o fato de tudo no mangá acontecer muito rápido: literalmente nas primeiras cinco páginas depois que a história tem início, os dois personagens principais se conhecem e tem vários momentos juntos, momentos esses que poderiam ser prolongados e talvez até dar um capítulo inteiro. Fiquei me perguntando se seria assim só nesse comecinho da trama, mas em todo o mangá isso acontece. Romance não é meu gênero favorito e, por se tratar de uma história meio clichê, minhas expectativas não estavam elevadas, por isso não me decepcionei; mas claro que concordo com Tony quando diz que é tudo muito ‘bonito e inocente’ ☺.


Personagens

TL: Só há destaque mesmo para os protagonistas, Akari e Takaki, mas eu confesso que amei demais os dois. Os personagens possuem muita química e são as coisinhas mais fofinhas do mundo juntos. Estou até agora torcendo para eles dois ficarem e se isso não acontecer eu não respondo por mim (me segura, Leandro!). Ah, quase no final aparece uma nova personagem, Kanae, e confesso que não gostei da adição dela. Para mim foi um dos pontos negativos do mangá.

LF: É, somente Akari e Takaki têm destaque, apesar de alguns colegas de classe de ambos aparecerem as vezes, tais aparições são no máximo uns poucos diálogos. A aparição de Kanae Sumida no finalzinho da trama me fez pensar que a única utilidade dela na história é demarcar a passagem tempo, mostrar que após tantas mudanças na vida de Akari e Takaki, o tempo não parou e ambos estão seguindo suas vidas. Espero estar errado. Gostei da Kanae e já suponho que ela irá sofrer quando Akari retornar, uma vez que as duas gostam do mesmo garoto.


Traços

TL: A arte do mangá é assinada por Yukito Seike e é, sem dúvidas, um dos pontos altos da obra. Há muitas cenas lindas e de deixar qualquer um com olhos brilhando. Os destaques ficam para as artes que retratam a natureza, como as cenas onde aparecem as flores de cerejeiras e a nevasca. Os traços dos personagens em si tão bem são muito lindos.

LF: Simm!!! Já li outros mangás em que as famosas flores de cerejeira aparecem bastante, e confesso que a arte desse volume é uma das mais perfeitas. Seike-kun não deixou um detalhezinho sequer a desejar.



Edição

TL: Como ainda tenho poucos mangás, fica difícil traçar um panorama das edições das editoras aqui no Brasil, mas como já vi de perto o trabalho de 3 editoras, posso afirmar que a NewPOP fez um belo trabalho. As primeiras páginas são num papel de revista e há até umas páginas coloridas. A capa é consideravelmente grossa e as folhas bem resistentes.

LF: Também tenho poucos mangás, mas uma coisa que me chamou a atenção de cara foi o fato de as páginas não serem quase transparentes como os mangás de outras editoras que já li, é difícil ver o conteúdo da página a seguir, mesmo em lugares com muita claridade. Sim, as folhas são bem resistentes, o que faz com que esse volume seja um pouco mais pesado do que outros mangás de mesmo tamanho. As páginas em papel de revista são maravilhosas ❤.

Expectativas para o próximo volume

TL: Bom, essa história terá sua conclusão já no próximo volume e eu espero, de coração, que os protagonistas fiquem juntos (eles são muito fofos, gente!). Espero também que não haja tantas cenas que me deixem confuso e que a Akari ganhe mais destaque (Leandro me fez ver que o Takaki teve bem mais destaque que ela).

LF: Concordo com tudo o que disse, Tony senpai. Pois é, em meu ver o Takaki teve um destaque maior. Em geral, todas as cenas de troca de cartas entre os protagonistas eram mostradas a partir do ponto de vista dele. A Akari quase não aparece após a mudança de cidade. Espero sinceramente que isso mude, e espero também que os principais fiquem juntos, mas que a Kanae não sofra com isso tudo, também. Enfim, ansioso estou. /o/


Nota:





Título: Mentirosos
Título Original: We Were Liars
Autora: E. Lockhart
Ano: 2014
Páginas: 272
Editora: Seguinte
Sinopse: Na família Sinclair, ninguém é carente, criminoso, viciado ou fracassado. Mas talvez isso seja mentira.
Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence - neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.
Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

*Exemplar cedido pela editora

Como Mentirosos foi um livro que me deixou bastante dividido, resolvi fazer essa resenha de forma diferente. Vou dividir e discorrer a obra em seus pontos positivos e negativos. Então bora lá?!


Pontos positivos:

- A escrita da E. Lockhart é sensacional!
Já havia percebido isso em "Fraude Legítima", mas em "Mentirosos" foi a confirmação de que ela é uma escritora de mão cheia. Com capítulos curtos e um estilo bem singular, a autora torna a leitura do livro extremamente viciante. Não conseguia largar a obra tamanha a habilidade de Lockhart em deixar o leitor fisgado à sua trama.

- Plot twist carpado
Sempre que alguém falava de "Mentirosos" para mim eu ouvia a seguinte frase: "O FINAL É SURPREENDENTE!" Nenhuma pessoa, sem exceção, disse que era algo esperado. Então fiquei naquela: "Será que esse negócio vai me surpreender mesmo?" E surpreendeu, meus caros! Surpreendeu de uma forma que fiquei atônito é só conseguia dizer: "Não não não não não não". É sem dúvidas, um dos maiores plots twist ever e o principal ponto positivo da obra.

- Temas interessantes
Gostei muito dos temas abordado na trama. Essa coisa de mostrar a podridão das típicas famílias ricas americanas me agrada muito e também gostei do fato de a autora abordar uma doença que eu nem sabia que existia, a cefaleia pós-traumática.

- A capa é muito linda!
Embora eu prefira a americana, devo confessar que a capa brasileira ficou maravilhosa. O efeito metálico é sensacional e deu um charme a mais para a edição do livro.



Pontos negativos:

- Pontas soltas
Quando a hiper mega ultra reviravolta acontece, aparecem muitas pontas soltas. Coisas que até agora estou sem entender. E infelizmente a autora não se preocupar em amarrar tais pontas soltas, o que me deixou extremamente frustrado.

- Os personagens não são carismáticos
"Mentirosos" foi o primeiro livro que li onde não me apeguei a nenhum personagem específico. A protagonista (Cady) é bastante sem sal, o par romântico dela (Gat) é um porre e os outros dois Mentirosos (Mirren e Johnny) não tem destaque, então passam despercebidos. O resto dos personagens eu realmente não tenho nada a falar, ou melhor: não sou capaz de opinar. Afinal, eles mal aparecem no livro e quando aparecem têm no máximo umas cinco falas.

- O suspense ficou em terceiro plano
Vi muita gente (incluindo a editora) vendendo o livro como um suspense, mas senti falta do gênero. Quem predomina mesmo é o romance e o drama e o suspense vai ficando de lado no decorrer de alguns capítulos. Confesso que em muitos momentos esqueci de que era um suspense que estava lendo e o livro mais me pareceu um Young Adult desses que estamos acostumados a ler. Não é bem um ponto negativo, mas tal fato me desanimou um pouquinho.

Nota final:





Agora chegou a hora de vocês opinarem: o que acharam de Mentirosos? Concordam ou discordam comigo? Me contem tudo nos comentários! ;)



Título: Misery
Subtítulo: Louca Obsessão
Título Original: Misery
Autor: Stephen King
Ano: 2014
Páginas: 328
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

*Exemplar cedido pela editora

A Tami, do Meu Epílogo, convidou alguns blogs para realizarmos uma leitura coletiva. E já que o dia combinado para postar as resenhas foi dia 31/10, nada mais justo que o livro escolhido por nós ser algum do gênero Terror/Suspense, não é mesmo? E eu escolhi "Misery", do Stephen King. Então bora saber o que eu achei dele?


Gente do céu, estou até agora surpreso com essa obra! Por mais que eu esteja acostumado com o que King costuma fazer, dessa vez ele conseguiu se superar e me deixar completamente chocado e horrorizado. E tudo isso se deve a um personagem: Annie Wilkes. A personagem é completamente louca, faz diversas atrocidades no decorrer da trama e o pior de tudo: dá uma de desentendida e bota sempre a culpa em outras pessoas. Confesso que ficava boquiaberto com​ tanto cinismo e loucura presente na fã nº 1 de Paul Sheldon.

Por falar na palavra "fã", Annie também se destaca nisso. Ela leva o fanatismo a outro nível e se mostra uma pessoa totalmente obcecada e que é capaz de fazer o que for possível (e isso inclui manter o autor em cativeiro e o torturar das formas mais doloridas possíveis) para ter um final decente para sua personagem favorita: Misery Chastain.

Por mais que tudo seja muito louco, adorei a forma como o autor abordou a dinâmica entre "o fã e o autor". É algo muito perto da nossa realidade de leitor. Não, não estou dizendo que eu quero sair matando os autores que matam meus personagens favoritos, mas não posso negar e dizer que não fico puto da vida e xingo muito eles. Querendo ou não, Annie é uma versão surtada e imprudente de todos nós fãs fiéis de autores e livros.

"Nós achamos que sabemos tanto, mas na verdade não sabemos mais do que um rato numa ratoeira: um rato com as costas quebradas que pensa que ainda quer viver." - página 168

Gostei também da forma como o Stephen aborda vários temas recorrentes para quem realmente ama e vive da literatura. Há toda a pressão que os editores/fãs colocam nos autores, as frustrações de um escritor que se vê escrevendo algo apenas por "dar dinheiro" e várias outras coisas do tipo. Pode até ser loucura minha, mas senti que tudo isso era uma forma do King mostrar como ele se sente/ou sentiu em determinados momentos da sua vida. Se foi realmente isso, só comprova que o autor é realmente um gênio.

Acho importante destacar a construção dos personagens. Diferente dos outros livros que li do autor, nesse só existem dois personagens. E isso foi algo que me fez ficar preocupado ("Ai Deus, já tô até vendo como vai ser arrastado ler isso"). Mas os personagens são tão fascinantes, críveis e bem construídos que você quer ler o livro como se não houvesse amanhã para saber quais serão os próximos passos deles e o que vai acontecer com eles. Há muitos capítulos que não passam de monólogos de Paul e se engana quem pensa que eles são arrastados. Na verdade é o contrário. Esses capítulos são os mais atrativos do livro e os que mais me envolvi.

"Porque escritores se lembram de tudo, Paul. Especialmente o que dói. Tire toda a roupa de um escritor, aponte para as cicatrizes e ele vai contar a história de todas, até as menores. As maiores rendem romances, não amnésia. É bom ter algum talento se você quer ser escritor, mas o único requerimento real é a habilidade de lembrar da história de cada cicatriz. Arte é a persistência da memória." - página 229

E há a tensão. Com o decorrer da trama vamos percebendo o quão louca Annie é e começa a torcida para Paul sair da casa dela. Mas como ele vai fazer isso com as pernas impossibilitadas de andar? Essa perguntinha e os acontecimentos do livro ficam martelando na mente do leitor e os desdobramentos e reviravoltas que levam a resposta são de deixar qualquer um com as mãos suadas e com dificuldades para respirar. É tudo muito angustiante e insano.


Com o final surpreendente e poético, Misery acaba por se tornar um dos meus livros favoritos do Stephen King. Com muita loucura, ação, tensão e personagens extremamente complexos, o livro se torna uma excelente pedida para quem curte um bom thriller psicológico.

Nota:




Lista de blogs participantes e livros escolhidos por eles:

O que disse, Alice? - Dias Perfeitos, de Raphael Montes
Wonderbooks da Alice - Doutor Sono, de Stephen King
Vida e Letras - A Hora do Lobisomem, de Stephen King
Entre Páginas - O Menino que Desenhava Monstros, de Keith Donohue
Versos e Notas - O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie
Meu Epílogo - Mate o Próximo, de Federico Axat
Who's that girl? - Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie



Título: Gigantes Adormecidos
Título Original: Sleeping Giants
Autor: Sylvain Neuvel
Ano: 2016
Páginas: 328
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Rose passeia de bicicleta pelo bosque perto de casa, quando de repente é engolida por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de ferro. Dezessete anos depois, Rose é ph.D. em física e a nova responsável por estudar o artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério, assim como os painéis que cercavam a câmara onde foi deixado. A datação por carbono desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria razoável é rapidamente descartada. Quando outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parece ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana. Mas, uma vez montado o quebra-cabeças, ele se transformará em um instrumento para promover a paz ou causar destruição em massa? Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante sobre a disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós.

*Exemplar cedido pela editora

“Gigantes Adormecidos” é o primeiro livro da trilogia Arquivos Têmis, ainda em lançamento, e primeira obra lançada pelo autor. Narrado de uma forma um tanto quanto diferente, a história é construída através de transcrições de entrevistas, páginas de diários pessoais, notícias impressas, entre outras formas. Pra mim, esse foi um ponto inicialmente positivo, pois por ser diferente da forma de escrita dos livros ‘comuns’, fiquei com mais vontade de lê-lo e isso até deu um maior ar de mistério para o que estava por vir; entretanto, a leitura acabou ficando meio cansativa aos poucos, o que não posso garantir que tenha sido somente por causa disso.


Falando da história em si, após alguns anos da incrível e intrigante descoberta de Rose, por ser agora uma renomada cientista/física, a mesma é selecionada para participar de novos estudos sobre a misteriosa mão metálica que agitara sua infância. Apesar de tudo, Rose recomeça as pesquisas com muita determinação e foco, o que faz com que novas descobertas e teorias enigmáticas surjam, a maioria apontando tais artefatos como obra de civilizações, fora do nosso planeta, anos-luz mais avançadas que a nossa, que saberiam a hora certa de se comunicar conosco: quando desvendássemos a verdade por trás de tudo.

Em uma nova missão, Kara Resnik e Ryan Mitchell encontram outra parte do robô: um antebraço. Com a descoberta, os dois são convidados para participar do projeto de Rose. Com códigos estranhos e ilegíveis escritos nas partes do gigante corpo metálico, o trio precisava de mais alguém para traduzir tais mensagens, e é aí que Vicent Couture entra em ação. Agora como quarteto, eles juntam as partes e montam algo que parece ser um robô alienígena, tão antigo quanto nossa existência. Com o robô formado, o grupo aprende a manipula-lo e percebem que o mesmo possui poder imenso, capaz de promover uma destruição poderosa ou a paz, fazendo com que pessoas – principalmente com más intenções – fiquem obcecadas em encontrar as outras partes ao redor do mundo. Esse é o momento em que a história atinge o pico de ação, política, mistérios e guerras.


Ultimamente tenho me interessado em ler livros de ficção científica, mas ainda não sabia por qual começar. ‘Gigantes Adormecidos’ foi uma boa escolha para estreia do gênero na minha vida, pois apesar de ficar um pouco desmotivado quase na metade da obra, o autor conseguiu me colocar pra cima novamente e ler todo o resto do livro em pouquíssimo tempo. A escrita, como já comentei, é meio diferente (talvez não seja tão diferente para quem já leu Guerra Mundial Z) e, ao menos pra mim, depois de um tempo, um pouco cansativa, mas me acostumei com o passar dos capítulos, esses, são bem curtos e dá pra ler vários num só dia, mesmo com uma rotina corrida.

A edição da Suma de Letras está muito bonita, com direito a figura da mão misteriosa logo no início do livro e, o que dizer dessa capa, né? Maravilhosa! Confesso que o que me chamou a atenção de início nem foi tanto a sinopse – que também é de tirar o fôlego –, mas sim essa capa fascinante ❤_❤ apesar de que a versão americana em capa dura pisa muito nessa edição.


Já adquiri o segundo volume da série, vulgo Deuses Renascidos, e pretendo ler logo logo! Por fim, recomendo a leitura para todos aqueles que gostam de ficção (principalmente científica) e de suspense/mistérios. Viva os Arquivos Têmis, e que venha o próximo volume /o/.

Nota:






Título: Uma Bolota Molenga e Feliz
Título Original: Big Mushy Happy Lump
Autora: Sarah Andersen
Ano: 2017
Páginas: 136
Editora: Seguinte
Sinopse: As incríveis tirinhas de Sarah Andersen são para nós, que não economizamos dinheiro na livraria, vivemos à base de café, deixamos tudo para a última hora, somos especialistas em roubar o blusão alheio, não sabemos nos comportar em situações sociais e insistimos em Pensar Demais. Esta segunda coletânea continua exatamente onde a primeira parou: debaixo de uma pilha de cobertas, evitando as responsabilidades do mundo real. Este volume traz tiras que acompanham os altos e baixos da montanha-russa implacável que é o começo da vida adulta, além de ensaios ilustrados sobre experiências pessoais da autora ligadas a ansiedade, carreira, relacionamentos e amor por gatinhos. Tudo isso com o mesmo tom sincero, leve e divertido que já conquistou mais de 2 milhões de fãs no Facebook.

*Exemplar cedido pela editora

"Uma Bolota Molenga e Feliz" é a segunda coleção de tirinhas da Sarah Andersen. O novo volume possui um caráter bem mais intimista e pessoal do que o seu antecessor ("Ninguém Vira Adulto de Verdade") e vem recheado com críticas à nossa sociedade moderna.


O livro já chama atenção​ por ter um bem-vindo diferencial: a inserção de textos com experiencias pessoais da autora que complementam as tirinhas. Isso me surpreendeu pelo simples fato de que eu não achava que o trabalho de Sarah era autobiográfico. Ao ver que algumas tirinhas são representações fiéis de situações que ela já viveu acabei gostando ainda mais da obra e criando um carinho muito grande por Andersen. É muito bom ver que a moça é gente como a gente e sofre por pensar demais, ser um desastre em interações sociais e ter problemas de autoestima.

O mais bacana é o humor empregado por Sarah nas tirinhas que possuem temas delicados. Venhamos e convenhamos, uma pessoa que chega a dizer que se odeia (eu e Sarah fazemos isso às vezes, tá?) não é algo para rir. Muito pelo contrário, é algo para se preocupar. Mas o tom adotado pela autora na hora de retratar essas situações é bem zoeiro, o que faz com que a gente passe a fazer piada de si próprio e perceber que talvez estejamos exagerando um pouco rs

Como disse no começo da resenha, "Uma Bolota Molenga e Feliz" está recheado de críticas. Isso me surpreendeu de forma positiva. As alfinetadas que Sarah dar nos homens que não demonstram sentimentos para outros homens por terem medo de parecerem gays, na objetificação das mulheres e nas fraudes artísticas são simplesmente deliciosas e bem afrontosas. Pisa menos, Sarah Andersen!


Ao encerrar a leitura de "Uma Molenga e Feliz" só consegui pensar em duas coisas: "Esse livro foi feito para mim!" e "Ainda vai demorar muito para a Seguinte lançar mais um livro da autora?". Amei, amei e amei. Por fim, gostaria de elogiar a editora pelo excelente trabalho feito na edição desse livro. Além da capa dura e folhas grossas, há uma "abrasileirada" em algumas tirinhas, o que torna tudo mais legal e fácil de se identificar.

Algumas fotos do livro:






Nota: