Título: Misery
Subtítulo: Louca Obsessão
Título Original: Misery
Autor: Stephen King
Ano: 2014
Páginas: 328
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.
*Exemplar cedido pela editora
A Tami, do Meu Epílogo, convidou alguns blogs para realizarmos uma leitura coletiva. E já que o dia combinado para postar as resenhas foi dia 31/10, nada mais justo que o livro escolhido por nós ser algum do gênero Terror/Suspense, não é mesmo? E eu escolhi "Misery", do Stephen King. Então bora saber o que eu achei dele?
Gente do céu, estou até agora surpreso com essa obra! Por mais que eu esteja acostumado com o que King costuma fazer, dessa vez ele conseguiu se superar e me deixar completamente chocado e horrorizado. E tudo isso se deve a um personagem: Annie Wilkes. A personagem é completamente louca, faz diversas atrocidades no decorrer da trama e o pior de tudo: dá uma de desentendida e bota sempre a culpa em outras pessoas. Confesso que ficava boquiaberto com tanto cinismo e loucura presente na fã nº 1 de Paul Sheldon.
Por falar na palavra "fã", Annie também se destaca nisso. Ela leva o fanatismo a outro nível e se mostra uma pessoa totalmente obcecada e que é capaz de fazer o que for possível (e isso inclui manter o autor em cativeiro e o torturar das formas mais doloridas possíveis) para ter um final decente para sua personagem favorita: Misery Chastain.
Por mais que tudo seja muito louco, adorei a forma como o autor abordou a dinâmica entre "o fã e o autor". É algo muito perto da nossa realidade de leitor. Não, não estou dizendo que eu quero sair matando os autores que matam meus personagens favoritos, mas não posso negar e dizer que não fico puto da vida e xingo muito eles. Querendo ou não, Annie é uma versão surtada e imprudente de todos nós fãs fiéis de autores e livros.
"Nós achamos que sabemos tanto, mas na verdade não sabemos mais do que um rato numa ratoeira: um rato com as costas quebradas que pensa que ainda quer viver." - página 168
Gostei também da forma como o Stephen aborda vários temas recorrentes para quem realmente ama e vive da literatura. Há toda a pressão que os editores/fãs colocam nos autores, as frustrações de um escritor que se vê escrevendo algo apenas por "dar dinheiro" e várias outras coisas do tipo. Pode até ser loucura minha, mas senti que tudo isso era uma forma do King mostrar como ele se sente/ou sentiu em determinados momentos da sua vida. Se foi realmente isso, só comprova que o autor é realmente um gênio.
Acho importante destacar a construção dos personagens. Diferente dos outros livros que li do autor, nesse só existem dois personagens. E isso foi algo que me fez ficar preocupado ("Ai Deus, já tô até vendo como vai ser arrastado ler isso"). Mas os personagens são tão fascinantes, críveis e bem construídos que você quer ler o livro como se não houvesse amanhã para saber quais serão os próximos passos deles e o que vai acontecer com eles. Há muitos capítulos que não passam de monólogos de Paul e se engana quem pensa que eles são arrastados. Na verdade é o contrário. Esses capítulos são os mais atrativos do livro e os que mais me envolvi.
"Porque escritores se lembram de tudo, Paul. Especialmente o que dói. Tire toda a roupa de um escritor, aponte para as cicatrizes e ele vai contar a história de todas, até as menores. As maiores rendem romances, não amnésia. É bom ter algum talento se você quer ser escritor, mas o único requerimento real é a habilidade de lembrar da história de cada cicatriz. Arte é a persistência da memória." - página 229
E há a tensão. Com o decorrer da trama vamos percebendo o quão louca Annie é e começa a torcida para Paul sair da casa dela. Mas como ele vai fazer isso com as pernas impossibilitadas de andar? Essa perguntinha e os acontecimentos do livro ficam martelando na mente do leitor e os desdobramentos e reviravoltas que levam a resposta são de deixar qualquer um com as mãos suadas e com dificuldades para respirar. É tudo muito angustiante e insano.
Com o final surpreendente e poético, Misery acaba por se tornar um dos meus livros favoritos do Stephen King. Com muita loucura, ação, tensão e personagens extremamente complexos, o livro se torna uma excelente pedida para quem curte um bom thriller psicológico.
Nota:
Lista de blogs participantes e livros escolhidos por eles:
O que disse, Alice? - Dias Perfeitos, de Raphael Montes
Wonderbooks da Alice - Doutor Sono, de Stephen King
Vida e Letras - A Hora do Lobisomem, de Stephen King
Entre Páginas - O Menino que Desenhava Monstros, de Keith Donohue
Versos e Notas - O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie
Meu Epílogo - Mate o Próximo, de Federico Axat
Who's that girl? - Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie












