Título: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Título Original: Män som hatar kvinnor
Autor: Stieg Larsson
Ano: 2015
Páginas: 528
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Vem da Suécia um dos maiores êxitos no gênero de mistério dos últimos anos: a trilogia Millennium - da qual este romance, Os homens que não amavam as mulheres, é o primeiro volume. Seu autor, Stieg Larsson, jornalista e ativista político muito respeitado na Suécia, morreu subitamente em 2004, aos cinqüenta anos, vítima de enfarte, e não pôde desfrutar do sucesso estrondoso de sua obra. Seus livros não só alcançaram o topo das vendas nos países em que foram lançados (além da própria Suécia, onde uma em cada quatro pessoas leu pelo menos um exemplar da série, a Alemanha, a Noruega, a Itália, a Dinamarca, a França, a Espanha, a Itália, a Espanha e a Inglaterra), como receberam críticas entusiasmadas. O motivo do sucesso reside em vários fronts. Um deles é a forma original com que Larsson engendra a trama, fazendo-a percorrer variados aspectos da vida contemporânea, da ciranda financeira feita de corrupção à invasão de privacidade, da violência sexual contra as mulheres aos movimentos neofascistas e ao abuso de poder de uma maneira geral. Outro é a criação de personagens extremamente bem construídos e originais, como a jovem e genial hacker Lisbeth Salander, magérrima, com o corpo repleto de piercings e tatuagens e comportamento que beira a delinqüência. O terceiro é a maestria em conduzir a narrativa, repleta de suspense da primeira à última página. Os homens que não amavam as mulheres é um enigma a portas fechadas - passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. E que um Vanger a matou. Quase quarenta anos depois, o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mikael descobre que suas inquirições não são bem-vindas pela família Vanger, e que muitos querem vê-lo pelas costas. De preferência, morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados - de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois.... até um momento presente, desconfortavelmente presente.
* Exemplar cedido pela editora
"Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" é o primeiro livro da série Millennium, do autor Stieg Larsson.
Uma
palavra para descrever a obra: Impactante. Stieg não tem medo algum de
abordar temas como estupro, violência extrema contra as mulheres e
animais e a corrupção em seu livro e é por isso que a sua estreia na
literatura é tão avassaladora. É impossível não ficar fascinado — e ao
mesmo tempo chocado — ao ler "Os Homens...". A coragem de Larsson me fez
admira-lo e aplaudi-lo de pé.
Além disso, a narrativa do autor é
bem gostosa. Descritiva demais em alguns certos capítulos (o que torna a
leitura um tanto arrastada), mas muito gostosa. Some isso com a
ambientação deslumbrante (impossível não se apaixonar pelo clima frio da
Suécia) da trama, aos personagens extremamente cativantes e complexos
(Lisbeth! <333 Mikael! <3) e ao mistério instigante a ser
resolvido e tenha um livro que é impossível de se largar.
"— E o que aconteceu?
— Chegamos agora à verdadeira razão pela qual eu gostaria de contratá-lo. Quero que descubra quem, na família, assassinou Harriet Vanger e há quase quarenta anos vem tentando me fazer mergulhar na loucura." - página 91
Todo o mistério envolvendo o desaparecimento (morte?) de Harriet Vanger me inquietou e fez o que bons mistérios geralmente fazem comigo: ficar louco para sua resolução! Só fiquei sossegado quando todas as peças foram se encaixando.
Como disse anteriormente, os personagens são muito bem construídos. O protagonista, Mikael Blomkvist cumpre seu papel com louvor. É cativante e tem uma conduta digna de elogios. Ah, e o que falar de Lisbeth Salander? A personagem é quem rouba a cena e que já nos conquista na primeira página em que aparece. A construção e evolução da personagem no decorrer do livro também é ótima e deliciosa de acompanhar.
"Todo mundo tem segredos. Trata-se apenas de descobrir quais são." - página 121
O autor ainda ganha pontos com o leitor ao inserir diversos temas em sua obra. Quem pensa que vai encontrar apenas uma trama policial no primeiro livro da série Millennium está enganado! A obra vai muito além disso: Em "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" há espaço para serem abordados temas como Política, Economia, Jornalismo, Tecnologia e até Religião. Stieg Larsson ainda usa a sua obra para fazer diversas críticas sociais, o que é ótimo.
Entretanto, mesmo tendo curtido toda essa variedade de temas, devo dizer que a presença dela provocou altos e baixos na leitura. Entendam: quando era abordado o Jornalismo ou a Tecnologia (temas que adoro) na trama, a leitura fluía facilmente. Mas quando o autor sueco reservava páginas e mais páginas para abordar a Economia ou a Política (temas que não gosto), a leitura se arrastava e eu demorava muito tempo para ler um pequeno número de páginas.
"Pela primeira vez na vida, Lisbeth Salander sentiu uma necessidade premente de pedir um conselho. No entanto havia um problema: para se aconselhar com alguém, ela seria obrigada a confiar na pessoa, o que significava ser obrigada a se entregar e a contar seus segredos. Com quem poderia falar? Não era muito boa em se relacionar com as pessoas." - página 217
Contudo, os pontos positivos se sobressaem e a experiência final com o livro é mais positiva do que negativa.
A edição da Companhia das Letras está ótima. A nova capa da obra é linda, a diagramação está ótima e as páginas possuem um material de qualidade elevada. Um único defeito, ao meu ver, é a tradução do livro que não está de acordo com o novo acordo ortográfico. Como já estou habituado com a reforma, achei estranho me deparar com palavras como "cinqüenta", "idéia" e entre outras. Apesar da estranheza, o detalhe não chega a incomodar.
"De repente ela percebeu que o amor era o instante em que o coração fica a ponto de explodir." - página 517
Em suma, "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres" é uma obra que recomendo para quem procura por um romance policial complexo e que foge do convencional. Se você adora se deparar com um mistério inquietante, personagens cativantes e complexos, e não se incomoda com cenas pra lá de pesadas, ler o livro será a escolha certa a se fazer.
Nota: 4 de 5 estrelas






