Título: Aimó
Subtítulo: Uma viagem pelo mundo dos orixás
Autor: Reginaldo Prandi
Ilustrador: Rimon Guimarães
Ano: 2017
Páginas: 258
Editora: Seguinte
Sinopse: Imagine se encontrar, de uma hora para a outra, em um mundo totalmente desconhecido onde você não conhece ninguém e ninguém demonstra saber quem você é. É o que acontece com uma menina nascida na África e levada para o Brasil para ser escrava, e que de repente acorda em um lugar estranho, habitado pelos deuses orixás e pelos espíritos dos mortos que aguardam o momento de seu renascimento. Ela não sabe mais o próprio nome nem lembra de sua família — está sozinha e não tem a quem pedir socorro. Por isso, aliás, ganha o nome Aimó, “a menina que ninguém sabe quem é”. Tudo o que ela quer é retornar ao seu mundo de origem, mas para tornar isso possível, Aimó vai partir em uma longa jornada através dos tempos mitológicos, guiada por Exu e Ifá, e vai acompanhar de perto muitas aventuras vividas pelos orixás. Só assim poderá reunir o conhecimento necessário para fazer uma escolha que lhe permita, enfim, voltar para casa.
*Exemplar cedido pela editora
Aimó Omobinrin é uma africana escrava que vivia no Brasil e morreu ainda jovem, sendo levada para o Orum, a morada de todos os mortos e dos deuses. Esse nome, Aímó, significa uma menina "esquecida, que ninguém sabia quem era, uma desconhecida”, e isso porque ninguém na Terra se lembrava dela ou chamava pela garota, o que impedia que a mesma fosse identificada ou até mesmo se reencarnasse e voltasse ao mundo dos vivos, o Aiê.
Nem mesmo a própria Aimó sabia das suas origens, o que a fez ficar extremamente triste e desiludida, perdendo as esperanças de um dia poder reencontrar seu povo no Aiê. Chorou tanto que suas lágrimas foram capazes de inundar o palácio de Olorum, o deus primordial, pai de todos os outros deuses orixás, que dormia um soninho de nada mais nada menos que quatrocentos anos. Olorum, ao ouvir a história da menina, imediatamente convocou Ifá e Exu, deuses que ajudariam a garota a encontrar sua família na Terra.
Aimó deverá escolher um dos principais orixás pela qual será filha ao renascer no Aiê, e todo esse ‘processo seletivo’ é retratado do comecinho até o final do livro. Tal processo mostra várias histórias de alguns orixás e algumas tradições das crenças africanas. Foi muito divertido para mim descobrir a existência de tantas culturas e tradições diferentes das religiões de matriz africana.
O Reginaldo Prandi já publicou mais de 30 livros no total, dentre os quais os mais famosos retratam as religiões afro-brasileiras, com uma linguagem acessível a todos. Com Aimó não é diferente, o livro é repleto de figuras e a escrita do autor é extremamente simples e compreensível. Senti a necessidade de ler o livro inicialmente para “conhecer um pouco mais sobre a umbanda”, e me surpreendi ao perceber que, na verdade, não é só essa religião que usa esses termos (olorum, orixás, etc). Aprendi muita coisa lendo Aimó. Pra se ter uma noção, o autor também tenta desconstruir alguns preconceitos que são comuns na maioria das pessoas que não têm conhecimento sobre tal tema, por exemplo, o Exu, sinônimo de diabo no Brasil, pode ser considerado como um herói na trama e um dos personagens principais.
A edição da editora Seguinte está impecável. O estilo do livro é bastante interessante e chamativo, tendo diversas ilustrações durante todo o decorrer da história. Os capítulos são bem curtinhos, do jeito que eu gosto, e as folhas são bem resistentes. Pra quem não pretende ler o livro usando a desculpinha de ‘ah, não conheço esses termos e os acho difíceis de entender’, pode ir parando u_u, o glossário ao final da obra conceitua todos os termos ‘complicados’ citados na obra. Recomendadíssimo!
(Bônus: pra quem se interessou pela obra, nesse link vocês podem conferir o primeiro capítulo do livro: https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/55137.pdf 💞)
Nota:





















































