Título: Fraude Legítima
Título Original: Genuine Fraud
Autora: E. Lockhart
Ano: 2017
Páginas: 280
Editora: Seguinte
Sinopse: Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.
*Prova antecipada cedida pela editora
Recebi a prova antecipada de "Fraude Legítima" e comecei a lê-la sem saber o que esperar. A sinopse não entregava muito da história e nunca havia lido nada da E. Lockhart. Não sei se foi por isso ou porque o livro é realmente maravilhoso, mas o fato é que me surpreendi com ele e o amei com todas as minhas forças. Amei tanto que demorei bastante para consegui escrever essa resenha!
Eu não sei vocês, mas eu amo anti-heróis. E a protagonista de "Fraude Legítima" é uma exímia anti-heroína. No decorrer da obra, Jule West Williams toma decisões ruins e atitudes condenáveis, mas é impossível não gostar da garota. Ela é uma sobrevivente. Faz o possível e o impossível pensando no seu bem estar e isso é uma qualidade notável. A personagem também foge completamente do clichê "donzela em apuros". Luta, consegue memorizar qualquer coisa, imita vários sotaques, é feminista e bem bad-ass. Para quem gosta de personagens femininas fortes como a Mulher-Gato e a Viúva Negra, vai amar Jule.
"Quando se fica longe tempo o bastante, não parece haver muito motivo para voltar." - página 169
Já falei como é a narrativa do livro? Acreditem se quiser, mas a história é contada de trás para frente. O primeiro capítulo é o penúltimo, o segundo o antepenúltimo e assim vai... Parece confuso, né? E de fato é. Mas com o prosseguimento dos capítulos as peças começam a se encaixar e quando chega no início/fim você só consegue ficar boquiaberto e dizer: GENIAL! E. Lockhart ousou ao sair do padrão na hora de contar a história das amigas Jule e Imogen, mas sua estratégia se mostrou eficaz e acertada. O resultado final foi um livro extremamente inteligente, viciante e surpreendente do início ao fim.
Sugiro que vocês procurem poucas (ou nenhuma) informações a respeito do livro. O quanto menos souberem, melhor. Esse é um daqueles livros onde devemos ser cautelosos na hora de falar sobre ele, pois o risco de alguma coisa crucial acabar sendo revelada é muito grande. Estou me esforçando ao máximo para não entregar muita coisa relevante sobre o enredo, pois quero que a experiência de vocês com a obra seja tão surpreendente e deliciosa quanto a minha.
"O importante é isso: ser capaz a qualquer momento de sacrificar o que somos pelo que poderíamos nos tornar." - (Charles Du Bos) página 248
Como eu gostaria de discorrer sobre a complexidade dos perfis psicológicos de Jule e Imogen! Mas aí teria que soltar alguns spoilers. Enfim, só saibam que Lockhart nos entregou personagens extremamente bem construídos. As protagonistas da obra são extremamente complexas e possuem uma série de camadas que vão sendo exploradas no decorrer da trama. Ambiguidade, instabilidade, astúcia, insanidade... Esses só são alguns dos vários adjetivos que descrevem Jule West Williams e Imogen Sokoloff.
Sendo assim (com muito medo de soltar algum spoiler), encerro essa resenha recomendando fortemente a leitura de "Fraude Legítima". Para quem procura por uma história recheada de mentiras, segredos, assassinatos, reviravoltas, viagens ao redor do mundo e empoderamento feminino, esse é o livro ideal.
Nota:







