Kamala Khan como Miss Marvel (Foto: Divulgação/Marvel Comics)
Esteve enraizada durante muito tempo nos quadrinhos de super-heróis uma cultura machista. As mulheres sempre apareceram trajando uniformes curtos e justos e os homens sempre representaram a figura do típico "machão". Héteros, brancos e fortes, os personagens masculinos raramente apareciam de outra forma. Esse cenário, contudo, vem mudando nos últimos anos.

Em 2011 surgiu nos quadrinhos o personagem Miles Morales. De origem hispânica, o garoto foi o primeiro Homem-Aranha negro. Ele, a princípio, fazia parte de um universo alternativo, mas sua popularidade foi tanta que passou a integrar o universo principal da Marvel. Em 2019 será lançado um filme de animação protagonizado por Morales intitulado "Homem-Aranha no Aranhaverso".

Kamala Khan atualmente é quem veste o manto da Miss Marvel. A personagem marcou um feito inédito nos quadrinhos: a primeira heroína muçulmana a ganhar uma revista solo. Roteirizado por G. Willow Wilson (autora de origem muçulmana), o volume "Nada Normal", lançado em 2014 ganhou prêmios importantes como o Hugo Awards e foi considerado como uma das HQs mais importantes do ano pelo Comics Alliance. Kamala é uma garota normal que lida com os problemas corriqueiros da adolescência (primeira festa, primeiro amor, etc), somado ao fato de ter ganho poderes e ser muçulmana. Algumas questões bem importantes sobre o preconceito que há com a cultura muçulmana são abordadas nas histórias da heroína.

American Chávez, a Miss América, é latina e lésbica. Completamente empoderada, ganhou uma revista solo em 2017 e faz parte dos Jovens Vingadores, grupo de heróis que também possui um casal gay composto por Wiccano e Hulkling. Os três personagens representam minorias e tinham tudo para serem vistos com olhares tortos, mas conseguiram cativar os leitores e ganharam seu espaço nos quadrinhos.

Jane Foster passou anos sendo vista apenas como o interesse amoroso de Thor, mas em 2016 ela assumiu o manto do herói e virou a poderosa Thor. A mudança, a princípio, dividiu o público. Porém, com o passar do tempo, a saga da nova heroína foi aclamada e muitos fãs ficaram tristes com a conclusão dela, que ocorreu esse ano.

Ainda que haja uma certa resistência ao novo, ao diferente (sempre há uma onda de comentários racistas quando algum ator negro é escalado para interpretar heróis no cinema), os passos que os quadrinhos vêm dando nos últimos anos marcam uma mudança positiva e contribuem para a desconstrução de rótulos e o mais importante: a representatividade. Finalmente mulheres, negros, latinos, muçulmanos, gays e lésbicas podem pegar uma revista para ler e dizer "olha, eu também posso ser um super-herói". Eu posso ser um super-herói. Você pode ser um super-herói. Nós podemos ser super-heróis.

*Texto feito originalmente para a matéria Comunicação, Cultura e Sociedade, do primeiro semestre do curso de Jornalismo


REFERÊNCIAS:

http://justicageek.com.br/ms-marvel-nada-normal-review/


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